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Expresso

Orçamento de Estado - A direita que mente para branquear ao seu legado

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Cada vez que a direita responde às evidências que lhes são apontadas acerca da campanha antipatriótica que tem feito contra as negociações do orçamento de estado, usa sempre a mesma resposta:

- Não recebemos lições de patriotismo de ninguém.

(Deve ser porque usam a bandeira, apenas como enfeite, na lapela)

Acontece que não é lição. É denúncia. É debate.

PSD e CDS estão incomodados, não com um drama inventado acerca de um alegado braço de ferro entre a comissão europeia e a atual Governo - que não existe -, mas com a viragem da política devastadora que impuseram ao país durante quatro anos de fanatismo.

Não admira que PSD e CDS, irrevogáveis pais do roubo de salários, pensões, reformas, prestações sociais; irrevogáveis pais do maior saque fiscal de que há memória; irrevogáveis pais do maior atraso do investimento de que há memória; irrevogáveis pais de um empobrecimento que tiveram por virtuoso, com uma margem sangrenta nas crianças; irrevogáveis pais do esmagamento da classe média; irrevogáveis pais da tentativa de guerra na sociedade civil; irrevogáveis pais do ataque ao mundo do trabalho; todo este horror sem, naturalmente, um único resultado positivo, queiram salvar a face.

Porque o que nos fizerem é irrevogável na sua autoria.

É por isso, e apenas por isso, que dramatizam, contra o interesse das portuguesas e dos portugueses, o que não passa de uma negociação que compatibiliza pontos de vista e soluções, essa banalidade, sem cedência, por parte do Governo português, das suas traves mestras de compromissos com povo – aqueles que mostram a face escura do PSD e do CDS (mesmo com a lapela enfeitada).

É por isso que nessa dramatização tentam que se esconda o único problema técnico e não político que está em causa numa negociação, repito, banal:

Esse problema resulta da mentira da anterior maioria, das mentiras, dizendo cá dentro que certas medidas de austeridade eram transitórias e na comissão europeia que eram definitivas, mentindo sobre a sobretaxa.

É por isso que PSD e CDS, sabendo que nas negociações nem sequer está em causa, verdadeiramente, o esboço do orçamento de estado, mente para ocultar a sua própria mentira e para dar como certa a sua política letal.

(Mas não recebem lições de patriotismo de ninguém. Imagino que nem sequer dos beneficiários do RSI, do CSI, dos trabalhadores, dos que recebem o salário mínimo, dos pobres dos mais pobres, da classe média esmagada).

PSD e CDS sabem que as previsões do orçamento de estado – (deste, e não as dos orçamentos múltiplos e falhados do anterior Governo) – nada têm de irrealistas. Sabem que as instituições internacionais e o Banco de Portugal fazem cenários na ausência de políticas (ou com políticas constantes). PSD e CDS não são, assim, ignorantes:

- São culpados à procura de salvação.

PSD e CDS sabem que o orçamento de estado não está “como é habitual” a apostar a carne e o osso na procura interna. Sabem que a maior variação do contributo para o crescimento do PIB vem da componente externa e não do crescimento da procura interna. PSD e CDS não são, assim, ignorantes:

- São culpados à procura de salvação.

PSD e CDS sabem que neste orçamento a maior parte do esforço da consolidação orçamental vem da redução da despesa e não do aumento de impostos. PSD e CDS não são, assim, ignorantes:

- São culpados à procura de salvação, de expiação, de branqueamento, mesmo à custa da democracia.

Tudo sem lições. Porque aplicaram a própria. À nossa custa.