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Expresso

Da génese ideológica dos Partidos

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Remontemos à génese ideológica dos Partidos. O PS tem na sua génese a prossecução do socialismo democrático e a solução dos problemas nacionais e a resposta às exigências sociopolíticas do mundo contemporâneo.

A história do PS confunde-se com o grande movimento social e político que, a partir dos meados do século XIX, conduziu a luta por sociedades mais justas e solidárias. É bom não esquecer quem, nesse momento, traçou uma linha de desenvolvimento na frente ideológica, sindical e política, determinante para a fundação e a consolidação das democracias contemporâneas e para a consagração e a concretização dos direitos sociais.

Também, em Portugal, o pensamento e a ação socialista acompanharam o movimento internacionalista referido, iniciado na segunda metade do século XIX.

Essa matriz inicial é a de hoje, está vestida de modernidade - mais do que nunca perante uma direita repressiva do Estado social - e é irrenunciável.

A luta contra o fascismo inscreve-se no ideal de luta pela justiça de uma sociedade livre em termos cívicos e de uma sociedade com democracia social.

A formalização do PS em 1973, através da transformação da Ação Socialista Portuguesa, que havia sido criada em 1964, tem, assim, uma base ideológica e de ação anteriores; não surge do vazio. O antifascismo, a luta por uma sociedade democrática e socialmente avançada têm raízes no século XIX. Há, portanto, repito, uma herança acumulada de reivindicações universais.

A herança é de esquerda. Um compromisso político, ontológico e até biológico com o povo, com os trabalhadores, com os pobres, sabendo que só serviços universais garantem um lugar digno para todos.

A herança tem, ideologicamente, essências comuns com outros, independentemente de caminhos diversos traçados após a revolução de Abril.

O PCP tem, na sua génese, um compromisso irrenunciável com a classe operária e com os trabalhadores, inteiramente na linha com o referido grande movimento social e político do século XIX.

O PCP tem na sua génese a luta por aquilo que precisamente era negado - uma sociedade nova liberta da exploração do homem pelo homem, da opressão, de desigualdades, de injustiças e flagelos sociais, uma sociedade em que o aprofundamento da democracia económica, social, política e cultural assegurassem aos trabalhadores e ao povo liberdade, igualdade e elevadas condições de vida.

Tal como o PS, o PCP tem a mesma perspetiva do Estado novo: é uma história de perseguições, de prisões, de torturas, de condenações, de assassinatos daqueles que ousavam defender os direitos do povo, protestar, lutar pela liberdade e por melhores condições de vida e de trabalho.

Tal como o PS, o PCP tem na sua génese a luta contra o fascismo e o colonialismo, a luta vincada por direitos sociais, a defesa da ideia de progresso contra a ideologia da lei da natureza, da lei do cada um por si.

Muito mais poderia ser acrescentado.

Sabemos das divergências que PS e PCP tiveram no PREC e depois dele.

Por mim, mais importante do que a insistência nas divergências democráticas numa das revoluções mais pacíficas de que há memória, num dos períodos pós-revolucionários mais normais dentro da sua complexidade inevitável que conheço, é recordar não só o que agora nos une – e isso tem sido feito contra a histeria descontrolada da direita - mas a génese ideológica e de luta que nos une em termos fundacionais.

É bom não esquecer. Porque o momento de hoje é ideológico e de génese. Porque os nossos adversários mostraram estar prontos para acabar com objetivos comuns irrenunciáveis, como a natureza universal do Estado social.