Siga-nos

Perfil

Expresso

Da escolha em causa - a farsa da coligação

  • 333

No debate Costa-Passos, ficou evidenciada sem filtros a encenação da coligação. Agarrar-se com todos os dentes a 2011 para evitar o escrutínio que está em causa numas eleições legislativas em 2015.

Esse escrutínio deve-se à governação dos últimos quatro anos, como é próprio em democracia, da qual Passos não quer falar, porque falhou. Acena, portanto, com um fantasma apolítico e sem substrato de “regresso ao passado”, quando o passado é, precisamente, a sua governação, a tal de que não quer falar.

Isso denuncia a sua recusa de apresentar propostas e de falar do futuro, que é mais do mesmo, em aceleração, num retrocesso civilizacional sem precedentes.

Uma vez que Passos insiste em não falar da sua governação, devemos cumprir a máxima simples de fazer uma avaliação do comportamento futuro a partir do comportamento passado do protagonista mudo.

Passos tomou a decisão livre de ir além da troica, aproveitada para implementar o modelo de sociedade subjacente ao liberalismo mais radical e punitivo de que Portugal tem memória.

Fê-lo com a agravante de ter faltado à palavra dada em eleições já com o programa de assistência assinado e jurando que não seria surpreendido por nenhum dado, porque estava absolutamente ciente de todos eles.

Ganhou as eleições sabendo que não honraria o dito e quem assim faz política não merece a confiança de ninguém.

Isso manifestou-se nomeadamente no corte de pensões e de salários – agora com a ambição de cortar 600 milhões nas pensões em pagamento -. na maior subida de impostos da história, na asfixia da classe média, na criação de pobreza vergonhosa e na emigração sangrenta e a convite.

Hoje temos 20% dos trabalhadores a ganharem o salário mínimo e Passos entristece-se de não ter reduzido suficientemente os custos do trabalho.

Hoje temos um aumento da pobreza que atinge 20% da população.

Hoje temos no horizonte a continuação da destruição dos serviços públicos, com a privatização da receita da segurança social minando a sustentabilidade da mesma.

Temos, pois, uma coligação presa ao passado.

Presa numa troica em dobro que, com diz Costa e bem, só sairá de Portugal definitivamente quando a direita sair da governação.

Já o PS propõe devolver rendimento às famílias.

É isto que relança a economia, rasgando a página flageladora da austeridade fanática dos últimos quatros anos.

O PS entende que o modelo de desenvolvimento certo aposta na formação e não na insistência de corte de salários e no aumento da precaridade.

O PS entende que o Estado Social não se destrói; defende-se em nome de um consenso quebrado na última legislatura, ao contrário de Passos e Portas que atacam a escola pública desviando recursos da mesma para escolas privadas, privatizando parte da segurança social e cortando o que nunca foi exigido no SNS.

Estamos perante dois modelos de sociedade apresentados aos eleitores.

E estamos perante dois candidatos com dois perfis claros.

Passos é o homem que disse isto antes das eleições, em 2011:

  1. “o PSD chumbou o PEC IV porque tem de dizer basta à austeridade: não pode incidir sempre na austeridade e no aumento de impostos”;

  1. “a pior coisa é ter um governo fraco. Um governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos”;

  1. “se vier a ser necessário algum ajustamento, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas”;

  1. “ninguém nos verá impor sacrifícios aos que têm menos”;

  1. “o aumento de impostos previsto no programa de ajustamento que assinámos é mais do que suficiente”:

  1. “a ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento”;

  1. “já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês, mas nós nunca falámos nisso e é um disparate”.

Costa é um homem que ganhou três eleições sempre com votos em crescendo porque fez sempre mais do que prometeu.

Está habituado a heranças pesadas e em vez de se lamuriar, resolve o problema.

Tem provas dadas numa experiência política incomparável à de Passos e o seu mandato à frente da CML é sintomático: exerceu-o ao contrário do que ao mesmo tempo decorria no exercício governativo desastroso de Passos.

Costa reduziu a dívida da CML em 40% conjugando o rigor orçamental com políticas de investimento, de emprego, de habitação, de alívio fiscal e de incansável atenção aos cidadãos mais desfavorecidos.

A escolha é clara quanto ao modelo de sociedade proposto pela coligação que aposta na austeridade fanática, que disparou a dívida e que ultrapassou ideologicamente a troica.

A escolha é clara quanto ao modelo obscurantista que à 25º hora teve por bem caçar mulheres tutelando a sua inteligência e isolando-se com a Rússia, a Roménia e a Ucrânia num outro ataque: um ataque direto, violador da convenção europeia dos direitos humanos, a crianças concretas que têm pais e mães que a direita isolada no conselho da europa não só não reconhece como se atreve a propor referendar.

A escolha é clara quanto ao modelo de sociedade proposto pela coligação que aposta na austeridade fanática que disparou a dívida e ultrapassou ideologicamente a troica.

A escolha é clara entre um candidato a primeiro-ministro que faltou à palavra e insiste na destruição do país e um candidato a primeiro-ministro com um percurso de palavra cumprida, de obra feita e de fazer mais do que promete.

A encenação de Passos e de Portas morreu.