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Expresso

Do emprego - a farsa da coligação

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Como escrevi no meu último artigo, a direita usa a encenação como arma.

Em tudo.

Vamos ao emprego.

Em primeiro lugar, a direita tem um conceito de emprego - quando se deleita com variações de taxas trimestrais - que deve ser denunciado por quem preza a dignidade de cada um.

Para a direita, os beneficiários do RSI que “trabalham” sem serem pagos para o Estado têm “emprego”; para a direita, os recém- licenciados que estão que fazem biscates têm “emprego”; para a direita, as pessoas que investiram anos e anos na sua formação e estão a dar o seu melhor em recibos verdes, falsos recibos verdes, contratos a prazo renovados para sempre a auferirem uma miséria têm “emprego”.

Acontece que a palavra “emprego” significa emprego digno, significa segurança e possibilidade de confiança no traçar de planos de vida, significa direitos e proteção laboral, significa que não se pode trabalhar e continuar pobre.

Esta clivagem ética e ideológica entre PS e PSD/CDS é evidente, o plano de Passos foi confessadamente “empobrecer para crescer” e, ainda há pouco tempo, respondendo a uma pergunta, afirmou que falhou por não ter reduzido ainda mais os custos do trabalho.

Nunca o fosso entre PS e direita foi tão grande. A conceção de emprego que a direita emprega sem vertigens é uma das dimensões do tipo de comunidade que ambiciona criar: a comunidade do abandono; da destruição da escola pública; da destruição do SNS. Mas hoje vou focar-me no emprego e na encenação em torno de uma chaga nacional que a direita não vê sangrar.

O emprego retrocedeu quase duas décadas, para níveis de 1995. Durante a vigência deste governo, foram destruídos mais de 320.000 empregos.

Esta é a verdade e não vale a pena andar com papelitos a tentar mistificar o horror.

Há 160 mil desempregados em programas ocupacionais (antes deste governo, rondavam os 20 mil), que desaparecem das estatísticas apesar de continuarem a não ter emprego.

Também tem havido um recurso pouco criterioso aos estágios. Os estagiários também não contam para o desemprego, mas o Tribunal de Contas revelou que apenas 1/3 dos estagiários transitam para um emprego.

Há mais de 250 mil desencorajados: pessoas sem emprego e disponíveis para trabalhar, que deixaram de cumprir os critérios administrativos para demonstrar que procuraram empregam.

E muito maior seria o desemprego, não fora o quase meio milhão de portugueses empurrados para a emigração durante a vigência deste governo (emigração permanente e temporária, em algum dos anos desta legislatura).

Esta é a realidade que a direita pensa que esconde na sua encenação, na sua farsa.

No dia 4 de Outubro está em causa salvar um modelo de sociedade e a estratégia da direita radical falha isto: as pessoas atrás da farsa existem. E sabem que não têm o tal do “emprego”.