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Contra-semântica

Segurança Social - O PS sabe

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Discutir a segurança social passa por não fazer da mesma uma bola de trapos atirada sem respeito em prol de um debate eleitoral rasca e mentiroso ou em defesa de teses de quem, sem seriedade, afirma que o mundo perfeito se decreta. 

O PS sabe que o país está ciente da conquista espantosa que foi a construção do sistema de segurança social.   

O PS sabe que os portugueses sentiram na pele o desenvolvimento social decorrente dessa construção. 

O PS sabe que os portugueses sentiram na pele a redução de uma taxa de pobreza vergonhosa, precisamente por causa do sistema de pensões. Desvalorizar esta eficácia é um insulto.  

O PS sabe que é possível garantir a sustentabilidade da segurança social, mas também sabe que a premissa implica não compactuar com políticas de pura estupidez e maldade geradoras de destruição do emprego e do crescimento económico. 

Por isso mesmo, não podemos ser míopes e temos de insistir nesta evidência: a sustentabilidade da segurança social depende de políticas públicas de recuperação económica e de um plano sério e estruturado de recuperação do emprego.  

O PS sabe que não pode deixar passar o discurso que apaga a palavra compromisso, a palavra que traduz a ideia de um Estado pessoa de bem, nem o discurso que se atreve a negar a natureza pública, universal e solidária do sistema de Segurança Social. 

O PS sabe que não é verdade que as pensões no futuro serão muito mais baixas, como explicou tão bem, esta semana, Vieira da Silva.  

O PS sabe que a redução das pensões em pagamento visa o habitual fanatismo com as contas públicas e não o equilíbrio da segurança social. E é, de resto, imoral e recessivo.  

O PS não aceita mais uma tentativa de gerar uma clivagem entre portugueses: já assistimos à tentativa de colocar funcionários públicos contra privados; dispensamos a descarada tentativa de colocar futuros e atuais pensionistas em conflito.  

Atingir os nossos pais é atingir-nos a nós e aos nossos filhos.   

No último debate quinzenal, o PM teve o topete de dizer que as famílias com menores rendimentos não foram atingidas. Disse-o na cara dos dois milhões de portugueses com menores rendimentos que sofreram o que sofreram. Disse-o na cara do milhão de portugueses com menores rendimentos que, entre 2009 e 2013, viu cair 24% os seus rendimentos.   

Esta indignidade tem tudo a ver com a segurança social. Revertê-la defende a segurança social e, por consequência, a diminuição da pobreza.  

O PS sabe que a única forma de lutar pela segurança social é diversificar as suas fontes de financiamento, o que implica olhar para a carga fiscal, para o emprego, para uma injeção rápida de rendimento nas famílias, no reforço das prestações sociais, na animação da economia.   

Quem não percebe isto, quem não percebe a complexidade dos fatores que têm de ser tidos em conta, fica por sua conta.