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Chamem-me o que quiserem

Onde está o dinheiro? (parte II)

Henrique Monteiro

É hoje divulgado um relatório parlamentar sobre as parcerias público-provadas (PPP). Em vez de nos pormos a ver de quem foi a culpa - basta dizer que desde a (já) velha Ponte Vasco da Gama que o problema se coloca - olhemos para os números: apesar dos 300 milhões de euros (uma gota de água) que o atual Governo já conseguiu poupar com os contratos, ainda vamos pagar (ao longo de anos, é certo) cerca de 12 mil milhões. 

Para se ter uma comparação de grandeza, o corte exigido pelo FMI é de 4,5 mil milhões, bastante menos de metade.

Por isso, sempre que alguém grita que isto é apenas uma destruição do Estado Social ou um programa neo-liberal, ou qualquer outra coisa do estilo, muito em voga gritar-se, lembrem-se: 12 mil milhões estão comprometidos e muitos outros mil milhões estão em obras inúteis. Não me refiro apenas a estádios onde ninguém joga, auto-estradas onde ninguém circula, ou escolas que parecem hotéis de cinco estrelas.Refiro-me a passagens superiores de auto-estradas para lobos (não é piada) monotorizadas por câmaras de filmar (e onde acho que nunca passou um lobo) ou túneis sob vias rápidas para sapos. Eu sei que é incrível, mas neste país houve de tudo.

Por cada emprego criado nestas obras e foram muitos milhares, alguém ficou desempregado quando esta loucura acabou. E os fornecedores destas pessoas (tascas, restaurantes, mercearias, cabeleireiros, etc.) também sofreram. Por isso, quando ouvem dizer que o desemprego é fruto desta política, lembrem-se que também é consequência de outras. Aliás, esta política que nos leva o couro e o cabelo é ela própria consequência de outras. 

Porque já ninguém nos emprestava dinheiro para fazer túneis para sapos e viadutos para lobos.

 

PS - Sindicatos marcam uma greve de professores para um dia de exames. Apesar disso mais de dois terços dos alunos fizeram exame. Apesar disso foi uma grande vitória dos sindicatos. Não me expliquem mais, eu sou sócio do Sporting e estou habituado a vitórias assim. 

PS(2) - O Supremo Tribunal grego mandou abrir a ERT. No sábado, no Expresso tinha considerado a decisão como não própria de uma democracia, tipo manu militari. A Europa continua a mostrar a sua superioridade nesta separação estrita do poder judicial em relação aos executivos. Mas o desafio mantém-se: como se fazem reformas muito impopulares de forma inteiramente democrática? Para mim, essa é a obrigação e o ponto central das questões políticas atuais

 

 

 

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