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Expresso

Chamem-me o que quiserem

Eu quero ser como Vieira

Henrique Monteiro

Henrique Monteiro

Redator Principal

Eu gostava de ser como Luís Filipe Vieira (tirando a parte de ele ser do Benfica, sendo eu do Sporting e talvez em matéria de orelhas prefira as minhas). Porque o Estado assumiu uma dívida do presidente do Benfica no valor de 17 milhões de euros. Vieira e a sua empresa deviam esse dinheiro ao BPN e parece que foi dado como incobrável.

Eu juro que não preciso tanto, mas se for preciso fico incobrável também. A mim quaisquer 170 mil, que é só 1% do que lhe perdoam, já me deixava feliz. Mas 1,7 milhões, ou seja 10% deixava-me muito rico, mas se não quiserem dar-me mais de 0,1%, ou seja 17 mil euros, eu já vos agradeço bastante.

Pensando melhor, isto deve ser tudo mentira, uma cabala contra o presidente do Benfica (apesar de ainda não ter visto qualquer desmentido). Porque um senhor que tem uma dívida de 17 milhões não deve poder estar à frente de uma instituição de utilidade pública que recebe dinheiros públicos. Se acaso o presidente do Sporting, do Porto ou do Braga forem também prejudicados por uma norma assim, paciência. Gosto muito do meu clube, mas gosto mais de contas bem feitas e de verdade e transparência.

Se for verdade, no entanto, deixem-me gritar: ESCÂNDALO! Ao pé disto, o que se diz dos políticos é - como dizia o Berardo - 'penauts', ou, em português, amendoins. Não gozem mais com o Zé pagante, porque eu sinceramente já não aguento!

Luís Filipe, grande homem. Andar todos os dias na televisão sabendo que nós lhe pagamos as dívidas (mesmo aqueles que como eu foram contra a nacionalização do BPN porque já sabiam no que ia dar...) é de homem. E de homem corajoso!

Eu não tinha cara para isso...  

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PS - Os policias manifestantes terem rompido a barreira da polícia no Parlamento, embora sem consequências, é preocupante, pelo menos do ponto de vista simbólico. Também o facto de Soares ter dito que o Presidente e o primeiro-ministro devem ir para casa "enquanto o podem fazer pelo próprio pé" constituí uma ameaça que só se desculpa pela idade avançada de quem a disse. Um facto e outro demonstram, sobretudo, a falta de cultura democrática que por aí campeia. Os nossos órgãos políticos foram eleitos de acordo com regras que não foram alteradas e têm prazos, que não foram alterados, para ser substituídos. Ser democrata é saber que pode protestar, pressionar, indignar-se, propor, manifestar-se, mas nunca ameaçar quem foi legitimamente escolhido.