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Expresso

Ainda bem que o MP investigou Centeno

Ouve-se por aí, nomeadamente em meios do PS, que a investigação rapidíssima do Ministério Público ao ministro das Finanças, Mário Centeno, foi uma afronta. No seu habitual estilo de ir mais depressa atrás de palavras do que de raciocínios, a deputada Isabel Moreira afirmou o seguinte: “Achar que o ministro das Finanças se vendeu por dois bilhetes é digno de um Estado persecutório”

Independentemente de a deputada saber o que é um Estado persecutório, daqueles que prendem pessoas às quatro da manhã sem processo nenhum, sem nada, como aconteceu durante 40 anos em Portugal, o caso é que investigar seja quem for é digno de um Estado de Direito democrático. E foi nesse Estado democrático que Centeno foi incomodado e, depois, se lhe fez justiça.

Estou pessoalmente à vontade. No dia 10 de janeiro considerei (e está escrito) este processo absolutamente ridículo. Mas se pessoas como Isabel Moreira e outras mais doutas, acham que o MP deve atuar consoante o que acha ou não ridículo (ou talvez consoante o que algumas pessoas acham ridículo) devo dizer que estão a dar poder de mais ao MP. Ou então, o que me parece tese mais sólida, pretendem um controlo do MP, controlando também o ‘ridiculómetro’ para se saber quando deve atuar.

As suspeitas ridículas sobre Centeno foram investigadas. Ainda bem. Com isso o ministro teve ganho de causa.

Imaginemos que não eram. Ter-nos-íamos que fiar na palavra do próprio e uma mancha qualquer ficaria adstrita ao atual presidente do Eurogrupo. Deste modo, o MP veio concluir em poucos dias que o que parecia ridículo era, de facto, ridículo. Sem pernas para andar. Arquivou.

Mário Centeno tem agora algo melhor do que a sua palavra (que seria sempre vista como juízo em causa própria) ou que a palavra de Isabel Moreira e outros (que já no caso Sócrates mostraram grandes virtudes justicialistas). Tem a acusação e defesa do Estado (o MP) do seu lado dizendo: não houve crime absolutamente nenhum.

Melhor do que uma suspeita, uma certeza absoluta.

Porém, ainda que correndo o risco de ser demasiado maçador, deixem-me que pergunte: fez ele bem em pedir dois convites para a tribuna do Benfica, mesmo nada dando em troca, longe disso? A resposta é não!

Quem não perceber por que o não devia ter feito, recomendo-lhe um curso de ética, daqueles simples, que dizem apenas que quanto maior é a responsabilidade de uma pessoa, maior tem de ser o seu exemplo e probidade, a sua contenção e distanciamento de locais onde, há muito, sabemos que não são poços de virtude. E não, não é apenas o Benfica. É como escreveu Luís Aguiar-Conraria, todo o futebol.

Numa palavra: ó senhores, vejam os jogos em casa, ou comprem bilhetes para os estádios. Não peçam favores a quem não devem, mesmo que não tenham de pagá-los…