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Escravatura: a nossa e a dos outros

António Barreto escreveu há dias no ‘DN’ uma excelente crónica, o que não é de admirar, sobre a construção de um memorial sobre a escravatura em Lisboa, num espaço situado entre a Ribeira das Naus e o Campo das Cebolas. Concordo com esta ideia, tanto mais que ali desembarcaram milhares de escravos para serem traficados. Mas Barreto, que acha boa a ideia, proposta por uma associação da sociedade civil, previne para que não seja um monumento que se limite a condenar os “negreiros e os portugueses”. Não um memorial de autoflagelação “por razões de oportunismo histórico e demagogia política”

Não podia estar mais de acordo. E o que vimos filmado pela Al Jazeera na Líbia, agora mesmo – negros a serem leiloados ao preço de 400 euros cada um – lembra que o mais hediondo dos crimes não foi sequer um crime apenas europeu. Todas as civilizações o cometeram. Qual foi, no fundo, a singularidade da Europa? Foi a consciência da imoralidade, da desumanidade, da repugnância que a posse de alguém causava. E foram os cristãos anglicanos, como John Newton (ex-comandante de um navio negreiro), autor do hino ‘Amazing Grace’, aqueles que o proclamaram bem alto. A partir de 1773 o esclavagismo passou a ser considerado imoral pelas classes ilustradas europeias.

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