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Método para não ficar indignado com Dijsselbloem

Conseguimos, uma vez mais, algo em que somos verdadeiramente bons: indignarmo-nos! E, desta vez, em conjunto com países como a Itália, a Espanha e a Grécia. Temos razão? Etimologicamente não. Indignar-se significa ser olhado como não tendo dignidade e não é um Dijsselbloem qualquer que consegue esse feito. Popularmente, sim. O holandês disse umas coisas ao jornal Frankfurter Allgemeine que não lhe ficam bem, nem são próprias de um ministro, que para mais é presidente do Eurogrupo

Na verdade, o que ele disse é o que menos importa. Ele deu como exemplo de limite à solidariedade alguém gastar todo o dinheiro que pede emprestado em bebidas e mulheres. Podia ser mais marialva e dizer ‘copos e gajas’, mas conteve-se. O mais importante é que ele pensa que nós somos melhores do que na verdade acontece. Ó camarada (o homem, apesar dos apelos do PS ainda é dos Socialistas Europeus), nós nem isso! Gastámos muito mal gasto mas não em divertimento – nem de homens com mulheres, nem de mulheres com homens, nem em qualquer outra das diversas variantes.

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  • Foram os líderes europeus, e não a extrema-direita, que construíram o argumentário demagógico contra a razão de ser da União. Assim como deram, com o insulto e humilhação permanente, a que juntaram doses cavalares de sacrifícios, força à esquerda antieuropeísta nos países do sul. Como podem existir condições políticas para qualquer tipo de solidariedade europeia, de que a União dependeria para sobreviver, se os principais dirigentes europeus convencem os seus povos que as transferências de recursos para garantir a convergência correspondem a dar dinheiro a quem o vai torrar sem qualquer critério? Claro que Dijsselbloem tem de ser corrido por ter insultado vários povos ao mesmo tempo e, já agora, por ter sido escorraçado do poder pelos seus concidadãos. O que não serve para os holandeses não serve para os europeus. Mas não se julgue que isso muda alguma coisa. O que Dijsselbloem disse é que o europeu médio do norte pensa. Não apenas por preconceito xenófobo, mas porque foi isso que gente considerada moderada e europeísta lhes andou a vender nos últimos seis anos. Foram eles e não quaisquer radicais que mataram a União

  • O que disse exatamente Jeroen Dijsselbloem

    Fomos ler a entrevista original publicada na edição em papel do “Frankfurter Allgemeine Zeitung” desta segunda-feira, para verificar o contexto em que o presidente do Eurogrupo disse a frase que incendiou os países do sul

  • Palavras de Dijsselbloem são “ofensivas e xenófobas”. É o que diz o PS em carta enviada ao presidente do Partido Socialista Europeu

    O PS apela a todos os partidos europeus para retirarem “qualquer apoio político à recandidatura” de Jeroen Dijsselbloem a presidente do Eurogrupo. Numa carta enviada ao líder do Partido Socialista Euroepu o PS pede a todos os “partidos membros” deste grupo para se distanciarem das declarações de Dijsselbloem sobre Portugal e os alegados gastos dos portugueses

  • Quem é Jeroen Dijsselbloem?

    O ministro holandês cessante, que em 2015 foi reconduzido na liderança do Eurogrupo, entrou esta semana pelas casas dos europeus adentro com uma afirmação infeliz sobre os países do sul gastarem tudo “em copos e mulheres” e depois virem pedir empréstimos ao Banco Central Europeu e ao Fundo Monetário Internacional