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“Se te queres matar, por que não te queres matar?”

O título é o primeiro verso do poema com o mesmo nome de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos). Foi escrito 10 anos depois de Mário de Sá-Carneiro, poeta e seu amigo, ter posto fim à vida. “Olha eu, que tanto amo a morte como a vida/ Se ousasse matar-me, também me mataria”, escreve à frente Pessoa/Campos. “A menos de um milagre na próxima segunda-feira, 3 (ou mesmo na véspera), o seu Mário de Sá-Carneiro tomará uma forte dose de estricnina e desaparecerá deste mundo”, tinha-lhe escrito o amigo a 31 de março de 1916 (na verdade suicidou-se a 26 de abril). Esta dicotomia entre o que se quer matar e mata-se, embora três semanas depois, e o que se quer matar, mas não ousa, é o melhor resumo que encontro das contradições do suicídio e da eutanásia

A eutanásia (por muito que queira dizer boa morte) é um ato de suicídio, no sentido em que a vida deixa de interessar, ou pesa menos na balança do deve e haver entre vida e morte. O fim último parece uma boa solução. Claro que nos afirmam que é uma boa solução para quem tem problemas graves, para quem já não pode sequer suicidar-se autonomamente, precisando tantas vezes de ajuda – a morte assistida. Porém, a pergunta de Álvaro Campos (Fernando Pessoa) interpela-nos sempre: se te queres matar, por que não te queres matar? O que nos leva a viver uma vida de que não gostamos, que nos faz sofrer?

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