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Trump está limitado pelas instituições?

A decisão de Donald Trump contra a entrada de cidadãos oriundos de sete países islâmicos (dos quais ficou habilmente excluída a Arábia Saudita, principal exportadora de ódio antiocidental) já foi amplamente debatida e dissecada. Permitam-me, porque é raro poder fazê-lo com tanta convicção, dizer que o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, mais do que estar à altura dos acontecimentos, utilizou a exata palavra que é necessário usar: é ilegal. É ilegal do ponto de vista da Europa, do ponto de vista dos tratados internacionais e penso que do ponto de vista da própria jurisprudência dos EUA

Mas há muita gente que tem sobre Trump uma análise que eu me permito discordar. Partem do princípio de que nos EUA, sendo por excelência, a pátria dos checks & balances (que em português se diz horrivelmente ‘freios e contrapesos’), ou seja dos poderes limitados por outros poderes independentes, o Presidente não pode fazer o que tem em mente. Eu quero acreditar que isso seja assim, mas temo não ser, no caso de não se atacar o mal pela raiz.

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  • O maior engano em que se laborou nas últimas décadas foi a ideia de que os pesos e contrapesos do sistema americano o tornavam imune ao poder despótico de um qualquer eleito. Parece que havia quem acreditasse que se tinha inventado um sistema imune aos humanos. Erro perigoso e que será, aliás, testado nos próximos anos. Mas há uma qualidade na democracia americana que será indispensável: a extraordinária dinâmica da sociedade civil. O movimento de resistência ao neofascismo, que começou com as feministas e continuou com os funcionários de organismos públicos e defensores dos imigrantes, reagindo com o mesma agressividade com que o ataque aos direitos cívicos está a acontecer, é a mais eficaz forma de defender a democracia na América. Mais uma lição que a vitória de Trump nos dá: quando uma sociedade se contenta em votar de quatro em quatro anos nenhuma democracia está segura. Só quando os cidadãos estão dispostos a defendê-la na rua é que ela é mesmo de todos