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Erro nº 5 – A morte da transcendência

“Em toda a face da terra não existe absolutamente nada que obrigue os homens a amarem os seus semelhantes (…) essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto”. É esta frase, atribuída a Ivan Karamazov (personagem de Dostoievski no romance ‘Os Irmãos Karamazov’) que se costuma condensar noutra, mais redutora e simples, mas que resume este tipo de pensamento: “Se Deus está morto, então tudo é permitido” (também erradamente atribuída a Nietzsche). Tanto uma como outra frase salientam o mesmo – nem existe lei natural e muito menos lei de Deus. Nada existe, salvo o vazio absoluto. As nossas ações são nossas, nada nos transcende, tudo é permitido aos homens, que apenas devem fazer leis consoante a sua conveniência social.

Foi a confusão entre laicismo – conquista importante e fundamental dos Estados modernos – e a absoluta falta de hierarquia de valores e do seu conceito universal, sobretudo quando entendidos como exteriores ao ser humano, que nos trouxe até à crise atual. Crise que, do meu ponto de vista, não é sobretudo uma crise económica, financeira, política ou qualquer outra que se possa designar por uma única palavra. É uma crise geral de modelo.

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  • Anda muita gente preocupada com a pós-verdade que é uma forma pós-moderna de dizer mentira. Descobriram-na recentemente, porém há muitos anos que ela anda por aí. Tantos quantos aqueles em que a Comunicação Social e, de um modo geral, as sociedades passaram a preferir avaliar a eficácia com que se transmite qualquer coisa, ao conteúdo da mensagem transmitida. Daí resultaram vários fenómenos, uns sem importância, outros com pequena importância e… Donald J. Trump, aquele que está para lá de qualquer classificação

  • Como pode Trump dizer, sem que isso se torne num clamor nacional e pelo contrário se traduza em milhões de votos, que constrói um muro com o México (que os mexicanos, aliás pagariam)? Reafirmou-o ontem e parece decidido a essa e outras barbaridades com os refugiados. Como é possível haver na Europa quem aplauda estas medidas e as ponha em prática? O que aprendemos desde a II Guerra? O que fizemos mal?

  • A vitória de Trump coloca em causa uma série de conceitos que, até agora, andavam mais ou menos disfarçados. Nos primeiros dias da sua estada na Sala Oval além de ter dado cabo dos acordos de comércio no Pacífico - seguir-se-ão os do Atlântico - liberalizou de tal modo a exploração de carvão e gás de xisto ( fracking) que na prática rebentou com os acordos de Paris sobre as emissões de gases poluentes. A situação é grave, mas a resposta não pode, uma vez mais, ser a arrogância a que temos assistido

  • O discurso do novo presidente dos EUA foi bastante desastroso e teria dado azo (como deu) para inúmeras críticas. Mas, curiosamente, muitos jornais (falo dos norte-americanos) começaram por tentar colocar em causa a legitimidade do vencedor das eleições. Fizeram-no através de várias formas, entre as quais a comparação de fotografias que mostravam o número de pessoas que assistiu à primeira tomada de posse de Obama e a esta, de Trump. A diferença é abissal, mas um porta-voz da Casa Branca atual já veio desmentir que as fotos possam ser comparáveis. E o meu ponto é este: isto interessa? É por vias, pelo menos tão básicas como as utilizadas por Trump, que se pretende minar o seu apoio? Não me parece