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Erro nº4 – Preferir a eficácia à mensagem

Anda muita gente preocupada com a pós-verdade que é uma forma pós-moderna de dizer mentira. Descobriram-na recentemente, porém há muitos anos que ela anda por aí. Tantos quantos aqueles em que a Comunicação Social e, de um modo geral, as sociedades passaram a preferir avaliar a eficácia com que se transmite qualquer coisa, ao conteúdo da mensagem transmitida. Daí resultaram vários fenómenos, uns sem importância, outros com pequena importância e… Donald J. Trump, aquele que está para lá de qualquer classificação

Há mais de 25 anos, um jornalista estava sentado no palco onde discursava o então primeiro-ministro Cavaco Silva. Estava de costas para o público e fixando o orador. No final, ao microfone da estação de rádio em que trabalhava (Antena 1, atual RDP), disse: olhei Cavaco nos olhos enquanto ele falou e não há dúvida – a corrente passa. O jornalista era o atual e cessante presidente da ERC, Carlos Magno, o mesmo que em determinado momento postulou “Não é por acaso que o espetáculo, a comunicação social e a política estão intimamente ligados"

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  • Como pode Trump dizer, sem que isso se torne num clamor nacional e pelo contrário se traduza em milhões de votos, que constrói um muro com o México (que os mexicanos, aliás pagariam)? Reafirmou-o ontem e parece decidido a essa e outras barbaridades com os refugiados. Como é possível haver na Europa quem aplauda estas medidas e as ponha em prática? O que aprendemos desde a II Guerra? O que fizemos mal?

  • A vitória de Trump coloca em causa uma série de conceitos que, até agora, andavam mais ou menos disfarçados. Nos primeiros dias da sua estada na Sala Oval além de ter dado cabo dos acordos de comércio no Pacífico - seguir-se-ão os do Atlântico - liberalizou de tal modo a exploração de carvão e gás de xisto ( fracking) que na prática rebentou com os acordos de Paris sobre as emissões de gases poluentes. A situação é grave, mas a resposta não pode, uma vez mais, ser a arrogância a que temos assistido

  • O discurso do novo presidente dos EUA foi bastante desastroso e teria dado azo (como deu) para inúmeras críticas. Mas, curiosamente, muitos jornais (falo dos norte-americanos) começaram por tentar colocar em causa a legitimidade do vencedor das eleições. Fizeram-no através de várias formas, entre as quais a comparação de fotografias que mostravam o número de pessoas que assistiu à primeira tomada de posse de Obama e a esta, de Trump. A diferença é abissal, mas um porta-voz da Casa Branca atual já veio desmentir que as fotos possam ser comparáveis. E o meu ponto é este: isto interessa? É por vias, pelo menos tão básicas como as utilizadas por Trump, que se pretende minar o seu apoio? Não me parece