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Erro nº 1 – Deslegitimar Trump

O discurso do novo presidente dos EUA foi bastante desastroso e teria dado azo (como deu) para inúmeras críticas. Mas, curiosamente, muitos jornais (falo dos norte-americanos) começaram por tentar colocar em causa a legitimidade do vencedor das eleições. Fizeram-no através de várias formas, entre as quais a comparação de fotografias que mostravam o número de pessoas que assistiu à primeira tomada de posse de Obama e a esta, de Trump. A diferença é abissal, mas um porta-voz da Casa Branca atual já veio desmentir que as fotos possam ser comparáveis. E o meu ponto é este: isto interessa? É por vias, pelo menos tão básicas como as utilizadas por Trump, que se pretende minar o seu apoio? Não me parece

A eleição de Trump (apesar dos votos serem favoráveis a Clinton) é totalmente legítima. Não é a primeira vez que acontece ganhar-se o colégio eleitoral e perder no voto popular. Acresce que, para quem conhece os EUA, um democrata ter mais pessoas em Washington é normal. Sabem os resultados das eleições em Washington D.C.? Preparem-se: 93% para Hillary Clinton; 4% para Trump. A desproporção, ela própria, não é normal (nenhum dos candidatos chegou perto dos 70% em qualquer outro local) e permite que se entenda bem o que quer o atual presidente dizer quando afirma querer passar o poder da oligarquia da capital política, para o povo.

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  • A forma como a posição de Trump sobre o comércio internacional é relacionada com a sua evidente pulsão autocrática não é inocente. Pretende confirmar uma relação direta entre a globalização do capitalismo a expansão da democracia. Esta relação não é atualmente verificável. Pelo contrário, o enfraquecimento do Estado Nação provocado pela globalização traduziu-se num enfraquecimento dos mecanismos democráticos. “O protecionismo é como estar fechado num quarto escuro, que parece proteger do vento e da chuva, mas também bloqueia o sol”, disse, criticando Donald Tump, Xi Jinping. É interessante que uma das vozes mais críticas às posições protecionistas de Trump seja o líder da maior ditadura do mundo. Resumir o confronto político atual à dicotomia entre protecionismo e globalização é encaminhar os cidadãos à escolha entre nacionalistas e globalistas, neofascistas e neoliberais. Mas há quem considere a democracia um travão ao bom funcionamento do mercado global e quem defendem que a soberania dos Estados é um elemento central da democracia. Reposicionarmos as linhas de demarcação política é o primeiro passo para combater fenómenos como os de Trump

  • Equipa de Trump critica cobertura noticiosa “desonesta” da tomada de posse

    Tomada de posse de Trump teve a “a maior audiência de sempre”, garantiu Sean Spicer, o novo porta-voz da Casa Branca, explicando que tinha sido usada uma proteção no relvado do National Mall que dava a imprensão de estar menos gente do que estava na realidade, comparativamente com a tomada de posse de Obama, em 2009