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Salgado & Sócrates: o sentido e a prova

Algo que faça sentido, por muito que o faça, não é necessariamente verdade. Por isso sempre fui contra condenações baseadas em provas meramente circunstanciais, não sustentadas em factos indesmentíveis. Esta advertência surge porque a ligação de Ricardo Salgado a José Sócrates faz todo o sentido, no âmbito do que fomos sabendo, mesmo antes de o Ministério Público ter transformado o ex-primeiro-ministro em arguido. Salgado, também conhecido por DDT (Dono Disto Tudo) tinha o dinheiro e Sócrates poder. Eis algo que combinado é explosivo

Não por acaso surgiram na altura do máximo poder da dupla, e como que do nada, empresas como a Oingoing, de Nuno Vasconcellos, ou empresários como Joe Berardo. Escudados no BES e na CGD foram decisivos para vitórias do Governo em batalhas económicas e políticas decisivas como as que impediram a OPA da Sonaecom sobre a PT ou as trapalhadas que envolveram o BCP. Foi a altura em que se compraram ações com empréstimos que tinham como garantia as próprias ações. Estando a CGD e o BES (e também o BCP) envolvidos no fundamental destas operações, pode dizer-se que Salgado e Sócrates decidiam quem ficava rico e quem ficava pobre. Apareceram figuras como Rui Pedro Soares, para não falar de Armando Vara e de muitos outros cujo cabedal não se sabia de onde vinha. O próprio José Sócrates começava a ter um estatuto social diferente do que lhe conhecêramos anteriormente. Falou-se, então, de uma herança.

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