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Os jornalistas são uma classe à parte?

O 4º Congresso dos Jornalistas terminou com um conjunto de conclusões positivas, no essencial, e com uma imagem de abertura bastante maior do que a dos congressos anteriores. À presidente, Maria Flor Pedroso, e a todos os que o organizaram, incluindo o Sindicato, o Clube e a Casa da Imprensa são devidas felicitações pelo sucesso da iniciativa

Já diferente me parece o entendimento que grande parte da classe. Desde logo, ao não entenderem que as notícias puras e duras são o que hoje se chama ‘comodidades’ (da má tradução de commodities), ou seja produtos primários, não trabalhados. O público tem overdoses disso e necessita, claramente, de bastante valor acrescentado: explicações, correlações, comentários, opiniões, entrevistas. Sem isso, seremos sempre comparados a qualquer pessoa que partilha uma notícia, sem cuidar da sua pertinência, implicação, causa e outros aspetos correlacionados. Depois, a confusão entre interesse público e interesse do público mantém-se. O interesse do público não pode nem deve ser o nosso objetivo, até porque muitas vezes é um interesse voyeurista, quando não sórdido e pérfido. Veja-se o que José Pedro Castanheira afirmou e bem sobre o assalto às frases bombásticas de Mário Soares, quando todos já sabíamos da sua condição e enfermidade. Houve porém duas propostas rejeitadas que me fazem pensar que esta classe – a minha – ainda não percebeu bem onde está metida.

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    Os crescentes atropelos à deontologia em nome dos cliques e das audiências, as discutíveis opções editoriais na hierarquização da “informação”, a falta de cultura nas redações e a cedência à perspetiva empresarial na gestão editorial têm sido alguns dos pontos mais focados pelos jornalistas nas auto-críticas ao exercício da profissão. O 4.º Congresso dos Jornalistas, que decorre em Lisboa desde 5ª feira, termina este domingo

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