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Da compreensão ao ódio

O que fazer quando alguém lança um camião sobre um conjunto de pessoas inocentes? Ou quando entra aos tiros numa Mesquita? Ou quando um agente da polícia mata à queima-roupa um embaixador? A melhor a resposta não existe. Não podemos controlar toda a gente, todos os camiões, todas as aglomerações de pessoas, todos os agentes armados. Temos de conviver num mundo assim. As reações têm de ser pontuais – penas duras e exigentes –, mas em resposta à ação. A prevenção torna-se quase impossível

Fechar fronteiras, identificar todos os estrangeiros, erguer muros é, pura e simplesmente, demagógico. Todos sabem que num mundo em que a facilidade de circulação de pessoas é enorme, em que a imigração para a Europa, desde há muito, é gigantesca (e nos últimos tempos ainda maior) agir como se pudéssemos colocar, pura e simplesmente, um cadeado na porta é uma ideia pueril, algo para se contar a crianças.

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  • Há um acordo tácito, nem escrito nem negociado, entre o terrorismo e a extrema-direita europeia: cada atentado permite à extrema-direita crescer, cada crescimento da extrema-direita permite aos islamistas captarem novos elementos. Os seus interesses são de tal forma confluentes que as agendas coincidem no tempo, tendo os terroristas a amabilidade de organizar os atentados de acordo com as agendas eleitorais de cada país. É por isso absurdo falar de injustiça no atentado de Berlim, tendo em conta a política de Merkel em relação aos refugiados. É exatamente contra posições como as de Merkel que estes atentados se fazem. Para derrubar os moderados e dar força à extrema-direita, que entra no jogo do ódio e da intolerância que alimenta os fanáticos religiosos. Quem, logo depois dos atentados, os usa para colocar no debate a sua agenda de medo é um aliado objetivo dos terroristas. Até porque é essa tentativa de ganho político que dá ânimo para novos ataques