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Lesados pelo BES ressarcidos pela Pátria

Eu sei que as próximas linhas só me vão trazer dissabores. Acreditem, porém, que elas não são ditadas por qualquer desejo de prejudicar quem quer que seja. Pelo contrário, move-me uma questão que, penso, deveria unir todos: a Justiça. Ora, há tempos, o BES, por não poder ter mais dívida do próprio grupo no seu banco, vendeu-a aos balcões. Vendeu-a, ao que parece, de forma dolosa e enganadora aos seus clientes. A alguns terá mesmo vendido sem eles o saberem, desviando dinheiro de contas. Naturalmente, pessoas assim enganadas devem ser ressarcidas. Mas, pergunta-se, quem deve tomar essa decisão? Quem deve dirimir conflitos entre privados (BES e seus dirigentes e clientes e investidores)? A resposta, do meu ponto de vista, seria: os mecanismos regulatórios próprios e os tribunais

A separação de poderes existe por diversos motivos e com diversos fins. Um deles, seguramente, é o Estado não privilegiar quem faz mais barulho ou quem se mobiliza melhor. Os lesados do BES, honra lhes seja, movimentaram-se bem e, conhecendo o país, a maioria das ações de protesto que fizeram foi contra o Governo e contra o Novo Banco, como se o problema não fosse com o ‘velho’ banco e a família Espírito Santo, capitaneada por Ricardo Salgado. Agora, quando o Governo, um banco na posse do Estado (Novo Banco) e os lesados chegam a acordo e dizem que estes serão ressarcidos (apenas em parte) pelo chamado Fundo de Resolução, eu tenho poucas dúvidas de que boa parte desse dinheiro é dos contribuintes. O Estado, todos o notam, tem dedicado demasiadas energias a salvar bancos, investidores e aforradores – digo-o sem poder ser acusado de anticapitalista ou revolucionário – e muito poucas energias a ajudar quem efetivamente produz, sejam empresas ou trabalhadores.

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