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Expresso

25 de Novembro

Não foi um dia bonito, mas tanto quanto me lembro não chovia. Em primeiro lugar devo confessar que não percebi inteiramente o que estava em jogo. Havia o ‘Grupo dos Nove’, militares associados ao PS e à ideia de regime democrático; havia os adeptos da aliança Povo/MFA (sei que parece ridículo, mas era uma aliança com o Movimento das Forças Armadas); e havia a proposta do documento do COPCON (Comando Operacional do Continente), associada a Otelo e a militares de extrema-esquerda. Eu tinha 19 anos feitos há pouco tempo e pertencia a um dos inúmeros grupos que tinham ‘m-l’ (marxista-leninista) na sigla, no caso a OCMLP e defendíamos, vá-se lá saber porquê, a fusão do ‘Grupo dos Nove’ com o documento do COPCON (devia ser para isolar o PCP, considerado lacaio dos soviéticos que eram – dizíamos - o inimigo mais perigoso, ao contrário do imperialismo americano, que era o inimigo principal). Estão confusos? Também eu estava

Até aí, e sobretudo depois dos idos de março, tinha havido nacionalizações irreversíveis, uma série inúmera de saneamentos que incluiu gente ligada ao PS (e de todos os socialistas no próprio jornal mais ligado ao PS, o ‘República’); cercos ao Parlamento, greve do Governo, praças cheias de gente a gritar e um Presidente da República (não eleito por voto popular, Costa Gomes) a prometer que nunca haveria social-democracia em Portugal - porque seria sempre o socialismo, aquele socialismo de que gostava o PCP (na verdade, talvez tenha acertado na parte de nunca ter havido social-democracia a sério).

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