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Como os media discriminam o Bloco e o PCP

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Há quase 40 anos, andava eu nos meus 21 anos, na Universidade, a esmorecer o meu esquerdismo maoísta militante (Mao morrera em 1976 e isso provocara nos grupos da extrema-esquerda diversas epifanias acerca do que era realmente o maoísmo, apenas uma versão oriental do estalinismo), quando se formou o Governo resultante da coligação PS/CDS (1978). De qualquer modo, a entrada do CDS no Governo era, então para todos nós, uma má notícia. De modo que houve um abaixo-assinado contra a constituição do Governo

Esquerdistas, comunistas, trotskistas e todo esse alegre rancho de que fazia parte, andámos a pedir assinaturas junto dos mais prestigiados professores. Enquanto Urbano Tavares Rodrigues ou Eduardo Prado Coelho assinaram sem delongas, calhou-me a mim António José Saraiva, por ser meu professor de História da Literatura. O diálogo, tanto quanto o posso reconstruir, foi para mim inesquecível. O professor perguntou-me: “Muito bem, tiram de lá esse Governo e põem lá qual?”. Sinceramente, ou por ter já costela de jornalista ou por pensar que assinatura eram favas contadas, não sabia a resposta. E ele rematou: “o vosso problema é saberem apenas o que não querem. Convém começarem a pensar no que querem”. E não assinou com estas palavras: “Também sou contra, mas não tenho alternativa”.

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