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Laicismo, burquini e estupidez

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Teremos sempre um argumento a favor dos nossos amigos franceses. Afinal, eles dominaram-nos intelectualmente durante anos e, sob o ponto de vista da organização do Estado (centralista e napoleónico) têm uma influência que não fica atrás daquela que os alemães têm na jurisprudência. Pois é, somos um país influenciável (não esquecer o comércio inglês ou a banca espanhola), que no campo das ideias sociais e políticas se habituou a olhar para Paris como basbaques

Quando algumas comunas de França, o próprio primeiro-ministro socialista e o candidato do centro-direita Sarkozy apoiam a proibição do burquini, um traje de praia específico de mulheres muçulmanas, por lá como por cá, há quem aplauda em nome do laicismo. Curiosamente, nenhuma dessas pessoas sabe (ou sabendo, não querem que se saiba) o que é o laicismo. Porque, é em nome do laicismo que o burquini deve ser… permitido!

Em Portugal também há uns senhores que se dizem – com toda a legitimidade, mas pouco conhecimento – laicos e se dedicaram a combater crucifixos nas escolas. Ou seja, confundem uma ‘não coisa’ com uma ‘coisa’. A ‘não coisa’ é o laicismo do Estado, que apenas significa que este não tem preferências nem sofre influências especiais de qualquer religião; não discrimina em nome da religião e, desde que estas atuem dentro da lei (laica neste sentido) acolhe todas elas com a dignidade que lhes é devida e que tem a ver, igualmente, com o número de seguidores, a sua importância na História do país e do mundo e com outros parâmetros objetiváveis. Significa isto que uma seita acabada de instalar com aqueles nomes como Igreja Singular Universal do Cristo Redentor da Humanidade não pode ser tratada com a mesma dignidade do que a Igreja Ortodoxa Russa ou a Comunidade Xintoísta, por poucos seguidores que tenham em Portugal.

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