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Sanções: uma guerra suja

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A guerra é suja em todos os sentidos. Desde logo, porque não faz sentido haver sanções. Se dizem respeito a 2015, os dois décimos de desvio depois de um programa violento não parecem indiciar que não tivessem sido feitos os esforços necessário (se foram mal feitos, na altura a Comissão calou-se). Se dizem respeito já a este ano, convenhamos que é cedo de mais para saber se o Governo consegue ou não conter o défice

Mas é suja também porque quase ninguém, salvo Schäuble, Juncker e mais alguns, dão a cara por qualquer das alternativas. Continuamente lemos nos jornais e ouvimos nas televisões e rádios as célebres fontes anónimas, muitas vezes a dar opiniões – coisa que no jornalismo sério nem permitido é. Uma das notícias mais glosadas ontem tinha esta fonte: “avança a Reuters, citando uma fonte próxima das decisões da Comissão”.

Se analisarmos esta frase, que raio significa ela? O que é uma “fonte próxima das decisões da Comissão”? Uma fonte próxima das decisões trata-se do quê? De alguém que está lá para decidir? De alguém que não está mas comanda a decisão a partir de outro ponto? É alguém que espia as Comissões? E como sabe esse alguém o que vai ser decidido?

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  • Maria Luís Albuquerque explica que sanções aos que governam hoje pelos efeitos da governação do passado serão aplicadas porque este governo reverteu políticas defendidas na Europa e por isso perdeu influência e credibilidade. O que a leva a dizer: “Se eu fosse ministra das Finanças a questão das sanções não se colocava. (...) Se tivéssemos continuado no Governo essa credibilidade não se perdia”. Maria Luís Albuquerque assume que isto é uma punição política e o défice de 2015 é apenas a desculpa. O raciocínio está certo. O problema é a antiga ministra usá-lo para defender o seu governo. Ele seria melhor porque seria mais do agrado da Comissão Europeia e sendo mais do agrado da Comissão Europeia estaria menos exposto à possibilidade de ser sancionado, mesmo estando em causa os resultados orçamentais da sua governação. O que está a dizer é que um governo de protetorado, para ser bem sucedido, tem de contar com o apoio político da Comissão Europeia. Se não o tiver, será punido mesmo que cumpra metas. Se o tiver, terá autorização para não as cumprir. E a senhora Maria Luís Albuquerque candidata-se, sem qualquer incómodo, a este indigno lugar