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Tradutor, traidor (Traduttore, traditore)

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É um provérbio italiano que, literalmente, significa que o tradutor é traidor, mas que na realidade quer dizer que toda a tradução não corresponde exatamente ao sentido original da frase. Todos conhecemos casos, e o de ontem, passado com Wolfgang Schäuble, não foi o primeiro nem será o último

O ministro das Finanças alemão (tudo o leva a crer, pelas retificações, esclarecimentos e declarações de jornalistas que estavam presentes) não disse de facto que Portugal ia pedir novo resgate. Disse, sim, que se Portugal não persistir no caminho com que se comprometeu, teria de pedir outro resgate e acrescentou que os portugueses não querem isso. A questão é, pois, saber quanta traição desta frase é do tradutor e quanta perversidade é a do orador.

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  • O comportamento do incendiário de Schäuble não resulta de falta de jeito. Corresponde a um padrão. O objetivo é provocar uma crise de confiança dos mercados que leve um Estado vagamente insurreto a vergar. Escusam de apontar o dedo a Nigel Farage, Marine Le Pen, Boris Johnson ou Pablo Inglesias. Escusam de procurar na Grécia ou em Inglaterra as sementes da destruição da União. O verdadeiro inimigo do projeto europeu é este senhor. É a tradição expansionista e profundamente antidemocrática que ele representa e que não hesita, em nome dos interesses alemães, em praticar uma política de terra queimada. Por mais europeístas que sejam, digam-me lá se ao ouvir Schäuble não sentem alguma simpatia pelos britânicos? Dirão que eles nem têm grandes razões de queixa e até têm razão. Mas quer o resto da Europa viver debaixo da pata deste irresponsável, que nem Merkel parece conseguir controlar?