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CGD: As casas caem de podre, não por se saberem podres

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Não ter consciência de algo não significa que esse algo não exista. Não trazer à luz o que se passou na CGD também não quer dizer que tudo esteja bem no banco público. Por que razão, nesse caso, esta resistência bastante generalizada a um inquérito parlamentar?

O PS diz que é uma devassa pública e o seu presidente, Carlos César, considera a iniciativa “grave e irresponsável”! O PCP diz que enfraquece! O economista Bagão Félix, insuspeito ministro das Finanças do Governo Santana Lopes, diz que a comissão será destrutiva! E Manuela Ferreira Leite, sua antecessora, considera-a inoportuna porque “enfraquece e é prejudicial” à Caixa.

Como quase sempre acontece em Portugal – salvo raras e honrosas exceções – há temas tabu. Mesmo o PSD, que defende a Comissão no Parlamento, arma-se em virgem pudica e pretende, sobretudo, escrutinar os mandatos dos socialistas Carlos Santos Ferreira e Armando Vara. Mas a questão é mais ampla do que essa. Tem de ser muito mais ampla, porque até os comunistas, que não consta terem representação na CGD nas últimas décadas, se abespinham contra a investigação à Caixa.

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  • Entre 1998 e 2008 a CGD entregou ao Estado 2,7 mil milhões de euros em dividendos. O BPN, o BES ou Banif não entregaram um cêntimo. Quando as coisas correram bem a Caixa deu dinheiro ao Estado, quando correram mal custou dinheiro ao Estado. Nos privados, quando correram bem deram dinheiro aos acionistas e quando correram mal custaram dinheiro aos contribuintes. Concordo que a Caixa tem estado a léguas da cumprir o seu papel de banco público. E isso leva à segunda parte da conversa: o modelo de governação da CGD. A CGD não terá mais administradores do que a generalidade dos bancos. Mas é difícil compreender a necessidade de tantos administradores não executivos quando há apenas um acionista. O sistema anterior de remuneração era absurdo: recebiam a média do salário dos últimos três anos. Agora haverá uma comissão de remunerações que determina os salários, tendo em conta o mercado e as funções de cada um, como em todos os bancos. Mas não se poderia assumir, através do pagamento de senhas de presença, a função de serviço público dos administradores não executivos, sem experiência no sector financeiro? A pergunta tem de ser esta: como ter a mais competente das administrações para gerir um banco com objetivos diferentes dos privados? Este debate fica sempre a meio. Umas vezes esquecem a competência, outras a diferença, quase sempre as duas