Siga-nos

Perfil

Expresso

O veto e a prudência nas ‘barrigas de aluguer’

  • 333

As chamadas ‘barrigas de aluguer’, em si mesmo, são algo detestável. Porém, o modo cuidadoso como a lei aprovada no Parlamento foi escrita leva a que a maior parte das questões éticas que poderíamos levantar estejam afastadas. Salvo uma, que aliás é comum neste tipo de temas: abre-se uma porta que não se sabe onde nos pode conduzir

O veto do Presidente a uma lei que teve a seu favor o Bloco, o PS e ainda vários deputados do PSD, entre os quais Passos Coelho, penso basear-se nesta questão ética que nos deve levar a pensar bem no que estamos a fazer. O voto contra do PCP tem, igualmente, uma justificação que, pessoalmente, acho prudente. Tudo somado, estamos perante uma questão que nada tem a ver com direita ou esquerda (e ainda bem) mas com a sensibilidade ou desconfiança com que, cada um, olha para o problema da gestação de substituição – expressão mais exata e feliz do que ‘barriga de aluguer’.

Comecemos pelo óbvio. Uma mulher que por doença ou mal formação não possa ter filhos e tenha o desejo de ser mãe olha para esta lei com esperança. E ninguém pode ficar insensível a essa vontade legítima. O problema será sempre arranjar quem, por ela, aguente os nove meses de gravidez e todos os incómodos a eles associados, apenas com o desejo altruísta de o entregar.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)