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‘Há lodo no cais’ ou ‘Sindicato de Ladrões’?

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No passado dia 8 de janeiro, uma orgulhosa ministra do Mar declarava, segundo os jornais do dia, a seguinte e muito esperançosa ideia: “Acabaram as greves no porto de Lisboa”. Viu-se! Porém, na altura, ainda a ministra acreditaria que os interesses envolvidos se curvariam à magnanimidade do governo socialista

Passado pouco tempo a greve voltou, a confusão instalou-se, fala-se de despedimentos coletivos, de falta de produtos essenciais em regiões como a Madeira e a ministra já não está confiante.

Seria demasiado fácil e injusto dizer que Ana Paula Vitorino tem a maior parte da culpa deste imbróglio. Nem é verdade, nem ela tem apoio político para pôr os estivadores na ordem. Será, por isso, interessante ver as origens e as circunstâncias desta greve.

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  • Esqueçam o contrato de cinco anos, de um ano ou de seis meses. Esqueçam até o contrato mensal. Tive a oportunidade de conversar com um estivador que trabalha há oito anos com contratos por turno de oito horas. O velho e conhecido trabalho à jorna. No Porto do Pireu, na Grécia, a entrada de uma empresa chinesa no mercado tornou as condições de trabalho numa selva absoluta. E é isto que se deseja generalizar. Foram as greves e os perigos de agitação social que garantiram o fim-de-semana, as férias pagas, o contrato mais seguro, os horários de trabalho, a impossibilidade de despedir de forma discricionária, a licença de parto, o fim do trabalho infantil... A única forma de destruir tudo isto é pôr os trabalhadores a pensar como se fossem patrões. Inculcar-lhes o espírito do mordomo que apesar de não ter lugar à mesa acredita ser da casa. E é por isso que a greve dos estivadores, que nos prejudica a todos e a eles também, é um grito de dignidade

  • Medicamentos para hemodiálise na Madeira só dão para três semanas

    Autoridades de Saúde madeirenses avisam que os conflitos no Porto de Lisboa - onde foi anunciado um despedimento coletivo - estão a ameaçar seriamente o fornecimento de medicamentos para hemodiálise. Governo regional já teve de recorrer à Força Aérea. Diretor clínico do serviço regional de Saúde avisa: “É indesmentível que está em risco um direito consagrado constitucionalmente que é o direito à saúde”

  • “Ira da estiva” custará 17,4 milhões

    Se a greve dos estivadores se prolongar até 16 de junho, os operadores do porto de Lisboa dizem que terão mais de 17 milhões de euros de prejuízos - 300 mil por dia. Para já, querem uma indemnização superior a 9 milhões, e queixam-se de uma guerra que consideram ser uma verdadeira “ira” dos estivadores