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Escrevam 100 vezes: o mundo mudou!

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Há quem não queira ver, haverá quem não consiga e quem se recuse a ver, mas a realidade é esta: as receitas do passado não servem o presente. Nesse aspeto os mais conservadores dos conservadores são neste momento os extremos – os que à esquerda e à direita recusam aceitar que o mundo mudou e vai continuar a mudar, obrigando países, instituições e pessoas a mudarem eles próprios

Mudou no que concerne à possibilidade dos apoios sociais tal como os concebíamos há anos. Embora fosse previsível, ninguém sonhava com este êxodo em massa para a Europa. Muito menos com o facto de parte do dinheiro que guardámos para as nossas reformas e as nossas maleitas ter de ser repartido e gasto também com eles.

Mudou no que concerne à forma de trabalhar. O velho emprego onde se passava a vida; o velho trabalho estável alterou-se. Não mais existe. Os nossos filhos e netos não terão nada do que os nossos pais conheceram. Estas realidades são factuais e têm como opositores os demagogos do mundo. Os Donald Trump, os Alexis Tsipras, a extrema-direita húngara e austríaca e a extrema-esquerda portuguesa e espanhola. Não quero confundir personalidades e misturar todas as políticas, mas não deixa de ser significativo que a deputada europeia do Bloco, Marisa Matias, tenha assinado o mesmo documento contra Juncker que recebera o apoio de Marine Le Pen (a portuguesa, após saber do facto, retirou o seu nome).

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  • Apesar de ser importante não embarcar em discursos ingénuos sobre a globalização, que aceitam o desemprego de mais um milhão de europeus em troca de um aumento marginal do PIB, o problema do TTIP não é abrir mais as fronteiras comerciais entre a Europa e os EUA. A barreira relevante ao comércio transatlântico não são as taxas alfandegárias. São as diferentes legislações em matérias como o papel do Estado nos serviços públicos, a segurança ambiental e alimentar, a regulação financeira, a defesa da privacidade dos cidadãos ou os direitos laborais. Este acordo implica uma harmonização de realidades tão distantes que só se fará com uma regulação por baixo, destruindo décadas de conquistas sociais e de cidadania, de garantias para o consumidor e de defesa do ambiente. Dando, depois disto, um poder desmesurado a qualquer investidor se sinta prejudicado por qualquer novo avanço nestas áreas. E tudo isto, que abala os alicerces da Europa que conhecemos, está a ser feito sem qualquer cautela democrática ou garantia de transparência. Será mais uma forma de conseguir pelas traseiras de negociações opacas aquilo que não se conquistou no voto. Será mais uma machadada na democracia e no modelo social europeu

  • A globalização não é um agente político é um facto. Também não é, como por vezes se apresenta, uma lei da natureza. Resulta, em muitos dos seus elementos, de decisões políticas. Mas sendo um facto político, económico e cultural, a globalização transporta em si, como é habitual nos momentos fundamentais da história humana, todas as possibilidades e todas as contradições. A mesma globalização que enfraquece a lei e a democracia, promove a criminalidade financeira e contribui para a penúria fiscal dos Estados, permite a quase 400 jornalistas em todo o mundo partilharem uma investigação e torna possível tratar milhões de documentos e factos e garantir a proteção dos jornalistas perante os poderes que incomodaram. A globalização não está certa ou errada. Está. Não se é contra ela ou a favor. Lida-se com ela, contrariando-a nuns casos, favorecendo-a noutros