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A importância da palavra golpe

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Não, não é um artigo sobre o Acordo Ortográfico. Ao contrário de tanta gente, sigo o Acordo sem protestos, porque, de facto, o problema das palavras não está na forma como as grafamos mas sobretudo no modo como as usamos. E aqui volto a um tema que referi na semana passada: o de haver ou não golpe no Brasil

Já dei a minha opinião sobre o que se passou. Foi mau, muito mau. Dilma, provavelmente, não merece o tratamento dado e Temer não é de confiança, mas isso não significa que um processo que segue os trâmites previstos na Constituição seja um golpe. Pelo contrário. Se tudo funcionar, e se Dilma não for considerada culpada por um tribunal superior, pode voltar a ocupar o cargo.

Por que se utiliza, então, a palavra golpe? Fácil: para deslegitimar o sucedido e simultaneamente legitimar todas as ilegalidades que possam ser usadas ou proclamadas contra a maioria parlamentar e senatorial.

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  • A economia brasileira, cujos fundamentos não foram mudados por Lula e Dilma, estava condenada a derrapar na primeira curva. O abrandamento económico da China e a queda do preço do petróleo chegaram. Agora, o que está em causa é saber quem paga a factura no momento das vacas magras. Canta Caetano Veloso: "A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil." Ignora-lo é ignorar uma parte do combate político que ali se desenvolve. A direita brasileira, apoiada pela elite económica e mediática, queria conquistar rapidamente o poder para garantir que a crise será paga pelos do costume, fazendo regredir grande parte das políticas sociais do PT. À corrupção que o sistema eleitoral e institucional promove e à crise económica vieram juntar-se magistrados ansiosos por protagonismo, incapazes de compreender que não se pode fazer uma “limpeza” com tal violência que faça ceder as paredes de uma casa. É confrangedor perceber que há quem acredite que esta situação explosiva pode ser gerida por um presidente que ninguém elegeu, que está ele próprio envolvido em casos de corrupção e que deve o lugar a um processo de legitimidade democrática muitíssimo duvidosa. Os homens e mulheres que fizeram cair Dilma Rousseff estão a colocar o Brasil à beira de um colapso político. Cheira a véspera de ditadura