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Foi golpe não, querida Dilma…

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Eu posso perceber a indignação de Dilma Rousseff e dos seus aliados. Afinal, que crime cometeu a presidente (excecionando o crime contra a língua portuguesa que é o de querer ser chamada ‘presidenta’)? Não sou, de modo nenhum especialista em leis brasileiras, mas nenhuma acusação concreta contra ela me convenceu

Só que a votação da Câmara de Deputados e do Senado, que ficou marcada pela frase “tchau querida”, está longe de ser um golpe. Pode ser o que em bom português se chama uma ‘sacanice’, uma traição, uma politiquice sem pés nem cabeça. Mas golpe é que não é. Por muito que a esquerda brasileira pró-Dilma (houve esquerda anti-Dilma) ou doutras partes do mundo queira, suplique ou sonhe que se trata de um golpe, não é golpe nenhum. A menos que passemos a considerar golpe uma interpretação não convencional da tradição (e nesse caso teríamos de dar razão àqueles que acham que, em Portugal, Costa deu um golpe, coisa que manifestamente não aconteceu).

Um golpe é, por definição, algo que não segue as regras estabelecidas na lei. E o afastamento de Dilma, que a maioria dos comentadores entende que já não voltará a ocupar a presidência (se bem que Constitucionalmente ainda tenha essa oportunidade), seguiu e vai seguir todos os trâmites. Qual o problema, então? É que a tramitação tem-se feito com base numa acusação cuja importância é relativamente inexistente - as chamadas pedaladas fiscais (crime pelo qual cairiam quase todos os políticos brasileiros, para não falar de Portugal e doutros países do mundo).

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