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A mulher de César e o amigo de Costa

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Sobre a mulher de César toda a gente sabe que não basta ser séria, é preciso que o pareça. Por que motivo havia de ser diferente um amigo de Costa, quando Costa está num lugar de tanto poder? A regra será igual, porque a mulher de César, neste caso, é o exemplo de alguém próximo e não apenas de qualquer relação familiar

É por isso que os filhos, os irmãos e, naturalmente, os grandes amigos, quando muito sérios, perdem com a ida dos seus parentes ou afins para o poder. Perdem, porque sabem que a partir desse momento, qualquer coisa sem importância que lhe peçam se torna uma cunha; qualquer favor que lhe façam transforma-se num tráfico; qualquer dinheiro que lhe emprestem é um suborno, fuga ou corrupção.

Mas paremos um pouco este raciocínio. Acaso as pessoas que são eleitas, escolhidas ou nomeadas para cargos de poder perdem direitos? Claro que perdem. De outro modo não seria exigível uma ética acrescida para quem detém esses cargos. Vão-me dizer que António Costa desconhece estas regras? Talvez desconheça, mas eu peço desculpa por não acreditar.

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  • Mesmo aceitando que há na política uma informalidade que não existe nos procedimentos administrativos, que há nas negociações uma leveza que não se aceita nos acordos finais, o poder político não tem amigos. E mesmo que tenha aliados que facilitam acordos, quando eles ganham o peso institucional de se tornarem negociadores crónicos, passam a exigir-se formalismos mínimos. Até para sabermos se não há incompatibilidades como as que existiam na relação de Diogo Lacerda Machado com a TAP. Esteve bem a oposição nas suas exigências. Esteve mal António Costa quando, depois de celebrar contrariado um contrato, disse que isso só saía mais caro ao Estado. Sabemos que o formalismo de procedimentos tem um preço. Mas nunca é tão alto como o da opacidade. Depois da escolha de Sérgio Monteiro para vender, de António Borges para privatizar e de Lobo Xavier para mexer no IRC pro bono é pouca a autoridade para o escândalo com funções à medida para amigos. Mas os erros passados não justificam os do presente e a oposição não perde as suas funções de fiscalização por ter falhado quando era poder