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Indignações panamianas e as suas tristezas

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Eu fico sinceramente indignado (em certos casos) ou triste (noutros) com os casos de pessoas que têm dinheiro nos offshores, nomeadamente neste caso dos ‘Panama Papers’. Fico indignado com um primeiro-ministro da Islândia (que ainda há pouco sofreu uma crise brutal) ou com as mentiras que se vão descobrindo no que toca ao GES (ou seja, aos donos do que foi o BES). E triste quando esses casos tocam pessoas que tenho por sérias, como Luís Portela, dono da Bial, ou, noutro plano, Vargas Llosa, um dos meus escritores preferidos

A indignação leva-nos a escrever coisas mais ou menos definitivas sobre a atividade dos offshore. Mas a tristeza conduz-nos a outro destino: e se fosse eu a ter aquele dinheiro e a ter de pagar aqueles impostos, faria também uma finta (ainda que legal) à Autoridade Tributária?

Convenço-me de que não a faria. Já passei por situações em que fui aconselhado por advogados a ter, digamos, agressividade fiscal e recusei. Só que os valores em causa eram, comparados com os que estamos a ver, insignificantes. Foi Pitigrilli, pseudónimo do jornalista e escritor italiano Dino Segre (1893-1975) que terá dito que toda a consciência tem o seu ponto de fusão. Talvez seja verdade. Talvez a minha fusão se desse lá para os milhões de euros. Quem sabe? Quem pode jurar que a sua nunca fundiria?

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  • Mais de 240 portugueses nas offshores

    Luís Portela, Manuel Vilarinho e Ilídio Pinho entre os envolvidos. Panamá ajudou a esconder saco azul do Espírito Santo durante 21 anos. Pela ES Entreprises terão passado mais de 300 milhões de euros. Gestor de fortunas admite contactos com representante de Isabel dos Santos.Ex-ministros portugueses também fazem parte da sua lista de clientes

  • Uma introdução à maior fuga de informação de sempre

    Mais de 300 jornalistas examinaram meticulosamente milhões de dados pertencentes à sociedade de advogados Mossack Fonseca para expor uma lista alarmante de clientes envolvidos em subornos, tráfico de armas, evasão fiscal, fraude financeira e tráfico de droga. Trata-se da maior fuga de informação da história - os Panama Papers, que mostram como uma indústria global de sociedades de advogados, empresas fiduciárias e grandes bancos vendem o segredo financeiro a políticos, burlões e traficantes de droga, bem como a multimilionários, celebridades e estrelas do desporto. A investigação é do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, de que o Expresso é parceiro