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Um par de bofetadas sérias

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Eu sei que hoje é dia de ‘bofetadagate’, como já chamaram ao cafarnaum desencadeado pela promessa do ministro da Cultura, João Soares, de dar um par de bofetadas a dois cronistas do ‘Público’. Prefiro, no entanto, falar de uma bofetada mais séria e, embora metafórica, menos típica do século XIX do que estas que envolvem o ministro, Vasco Pulido Valente e Augusto M. Seabra

A bofetada de que falo é sobre as Universidades: 57 milhões de cativações, ou seja dinheiro orçamentado para o Ensino Superior, já distribuído pelas respetivas Universidades (e também Politécnicos), que estas ficam impedidas de gastar sem autorização especial.

Para quem não sabe, a cativação é um modo de as Finanças (neste caso a Direção Geral do Orçamento) controlar os gastos do Estado. Pode ser virtuoso e pode ser desastroso. De qualquer modo, com este movimento, as Universidades ficaram com menos dinheiro do que aquele de que dispunham no tempo do Governo anterior.

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  • João Soares promete “bofetadas” a colunistas

    Através da sua conta no Facebook, o ministro da Cultura ameaça dar “um par de bofetadas” aos colunistas Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente, do “Público”. Em causa está um artigo de opinião escrito pelo primeiro

  • João Soares ameaçou de violência física um colunista (na realidade dois) que exerceu o direito constitucional à crítica ao seu desempenho político. Quando um ministro reage à crítica de um colunista, jornalista ou opositor através da ameaça de violência física é o Estado que faz essa ameaça. Quando o Estado faz essa ameaça para reagir à crítica a que está sempre sujeito põe em causa a democracia. Deixar passar isto como se fosse mais um destempero de João Soares e como se este tivesse direito a uma espécie de inimputabilidade política seria gravíssimo. Tornaria António Costa e até os partidos que suportam este governo em cúmplices de uma ameaça pública à liberdade de expressão e de imprensa. Isto não são os “corninhos” de Manuel Pinho ou uma anedota de mau gosto. É um gravíssimo precedente que não pode ser aligeirado. A consequência lógica desta ameaça só pode ser a demissão do ministro da Cultura

  • Falando em nome do partido, Hugo Soares diz que as afirmações do ministro da Cultura (que prometeu dar “bofetadas” a colunistas do “Público”) revelam “um padrão do Partido Socialista de falta de respeito”, mas sublinha que as opiniões pessoais dos deputados sociais-democratas pedindo a demissão do ministro “não vinculam o PSD”