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Expresso

Como assassinar um jornal

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Salvaguardando as costumeiras exceções, a mais notável das quais foi de Paulo Ferreira, a classe jornalística e afim lamentou-se, como habitualmente, pelo encerramento de mais um jornal: o ‘Diário Económico’ na sua edição em papel. Sinais da crise, disseram. Em parte têm razão – há sinais de crise por toda a Imprensa (e dispensem-me o pleonasmo imprensa escrita, pois toda a imprensa é escrita). Mas, se me permitirem eu discordo num ponto: o ‘Diário Económico’ não morreu de morte natural nem devido às tecnologias. O ‘DE’ que alguns distintos jornalistas (entre os quais Nicolau Santos) fundaram, foi assassinado

A história do crime conta-se em três linhas. Quando a empresa proprietária do jornal foi vendida pela última vez, a célebre Ongoing ofereceu um valor astronómico para aquilo que o mercado entendia ser o preço justo do ‘DE’. Depois, foi o regabofe: diretores editoriais com carros milionários e motoristas às ordens; salários muito acima da média praticada pelos outros jornais, megalomanias várias. Ah, e acima de tudo, o que começara por ser um projeto jornalístico económico independente, tornou-se num projeto subserviente do proprietário.

É claro que há quem tenha dinheiro para aguentar uma coisa assim muitos anos. Veem-se pelo mundo fora projetos idênticos (e em Portugal não cometerei a deselegância de nomear mais nenhum). Mas tendo estoirado o BES e os seus veículos e ‘holdings’, a coisa teve impacto na Ongoing, que era uma espécie de empresa (o último que perguntou o que era aquilo, o deputado do PSD Agostinho Branquinho, foi para lá trabalhar); espécie de empresa formada para servir os interesses do Dr. Salgado e alguns interesses do Estado (no tempo do governo Sócrates), bem como de privados, nomeadamente contra a OPA da Sonae à PT.

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