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Expresso

Um beijo nas Cortes de Espanha, ou o complexo de Peter Pan

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Não venho aqui escrever sobre o facto de um homem ter beijado outro em pleno parlamento espanhol, nem o caso é esse. Quero, sim, dizer que há comportamentos que nada têm a ver com os Parlamentos, lugares onde a razão prevalece sobre a emoção. Ao contrário, por exemplo, dos estádios de futebol. O que o Podemos tem feito é destruir a razoabilidade, credibilidade e formalidade da democracia em nome de um populismo execrável

Há muitos anos (1941), Soeiro Pereira Gomes escritor e militante comunista, expoente do neorrealismo português, escreveu ‘Esteiros’. Embora o estilo não seja o meu preferido, colocou-lhe uma dedicatória que é um murro no estômago, quando se fala de trabalho infantil: “Aos homens que nunca foram meninos”. Na altura, não se colocava a questão do género, pelo que Soeiro não escreveu “aos homens e mulheres que nunca foram meninos nem meninas”. Hoje, porém, para sermos mais exatos, ao falar do Podemos (e de muitos outros grupos do estilo que por aí pululam) estamos a referir meninos e meninas que nunca quiseram ser homens e mulheres. É o complexo de Peter Pan.

Quando um deputado catalão da linha do Podemos acabou um discurso, o líder nacional do agrupamento, Pablo Iglésias, saiu disparado do lugar e deu-lhe um beijo. Eles sabiam que essa seria a imagem do dia, a qual ofuscaria o facto de terem acabado de inviabilizar um governo do PSOE com o Ciudadanos. Fizeram-no mandando às malvas a tradição, os regulamentos, a decência e a natural racionalidade de um Parlamento. Dois jogadores a festejar um golo, no futebol, são, por vezes, menos exuberantes.

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