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Expresso

Orçamento, Pangloss e Salazar

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Segundo percebi, o Orçamento ontem aprovado na generalidade no Parlamento, é o melhor dos orçamentos possíveis. Não é um orçamento que entusiasme alguém (salvo talvez os ministros Eduardo Cabrita e Vieira da Silva, uma vez que ao primeiro-ministro é difícil ler-lhe a alma). Mas todos os outros seriam piores

Lembrei-me da tese de Pangloss no genial livro de Voltaire “Cândido ou Otimismo”. Aquela personagem, percetor de Cândido, assegurava vivermos no melhor dos mundos possíveis. Voltaire construiu um Pangloss inspirado em Leibniz, matemático e filósofo alemão que defendia, precisamente essa tese. O mundo não era grande coisa, sofria de muitos males, mas era o melhor possível de modo a que Deus desagradasse a um mínimo possível. Era, digamos, uma bissetriz de interesses.

Nesse sentido – e também no sentido do otimismo – este orçamento é extraordinariamente ‘panglossiano’ (termo que, não por acaso, ficou plasmado nos dicionários como sinónimo de otimista). O bordão do debate é dado na frase: vocês seriam piores do que nós! Da mesma forma que Pangloss, depois de ter naufragado com o seu aluno na barra de Lisboa, após o terramoto de Lisboa em 1755, consegue achar a catástrofe indispensável, pois provinha de Deus.

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