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O que leva uma mãe a matar os filhos? Não há respostas…

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“O meu nome é dor” escreveu hoje a abrir o Expresso Curto Luísa Meireles. Uma prosa breve, como tem de ser naquele formato, mas onde diz quase tudo o que há para dizer sobre aquela mãe que entrou com as pequenas filhas rio adentro até as perder e, ainda que resgatada – “procure as minhas meninas”, disse então -, se perdeu a ela

O teu nome é culpa, parece ser o mote de muita, demasiada gente, que se pronuncia sobre estes casos. Luísa Meireles não retira conclusões, não quer culpados, nada quer denunciar de específico. Apenas pretende tocar as nossas cordas mais sensíveis. Se todos fossem como ela, a palavra compaixão, que no étimo significa ‘sofrer com’ não teria caído em desuso.

Socorro-me ainda da minha camarada de redação (sim, nós dizemos camaradas de redação) de há mais de 25 anos para concordar uma vez mais: “suicídio piedoso”, como lhe chamam os especialistas, é uma designação infeliz. Bastante infeliz. Piedade não é sinónimo de desespero e só a falta de qualquer esperança, o total fim de qualquer confiança na vida pode levar uma mãe a sacrificar os filhos. Havia um poema muito em voga no séc. XIX e princípios do séc. XX intitulado ‘O Melro’, no qual o poeta Guerra Junqueiro descrevia a situação real de um melro matar os filhos quando estes se encontram em cativeiro, transportando-lhes no bico bagas venenosas. E escrevia o poeta naqueles versos famosos "Meus filhos, a existência é boa / Só quando é livre. A liberdade é a lei, / Prende-se a asa mas a alma voa / Ó filhos, voemos pelo azul! Comei!"

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