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Expresso

O caso Maria de Belém

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A ex-presidente do PS é uma mulher íntegra, há cerca de 50 anos dedicada a causas sociais; há 40 anos ligada ao Partido Socialista. A toda a história do PS, tanto à que combateu os comunistas na rua, como o que batalhou pela igualdade de género. O que ela não é, seguramente, é uma populista que vai atrás do “ar do tempo” ou entra em demagogias fáceis para ter popularidades efémeras. Não votei nela, por divergências políticas, mas o seu resultado, ao contrário do que alguns escrevem, não reflete o que ela merece, mas o que a nossa política merece

A primeira acusação que lhe fazem é de divisionismo. É fantástico como uma ex-Presidente do PS divide o partido por se apresentar como candidata. Acaso o PS tinha algum candidato? Não! Havia Sampaio da Nóvoa, que nunca foi PS, que em tempos combateu o PS e que era endossado por figuras também do partido, mas igualmente algumas que tinham sido dos principais adversários dos socialistas (v.g. Ramalho Eanes). Assim sendo, que dividiu ela? A estratégia não explícita? Uma ideia que as altas esferas tinham de vir a apoiar Nóvoa? Mais: Se ela não concorresse, Marcelo não ganharia à mesma? Claro que ganharia e, provavelmente, como tentarei demonstrar, com mais votos.

Outra acusação tem a ver com aquilo que Vera Jardim, Alberto Martins, Manuel Alegre e outros, criticaram como onda de populismo. É verdade! Eu não concordo com a subvenção vitalícia sem condição de recurso (ou seja atribuída independentemente de outros rendimentos), como Maria de Belém e outros deputados pediram. Mas uma divergência política não é, não pode ser, uma acusação de falta de seriedade, de ganância ou de privilégio. Ao mesmo tempo que sinto ser curioso ver alguns dos indignados contra Maria de Belém desvalorizar casos mais graves, como o de Sócrates, sinto que é preocupante esta deriva que leva a considerar a posição política própria como inatacável, íntegra e pura, e a dos outros como desonesta ou impura. É este o princípio da demagogia e da falta de tolerância pelos outros. Começam assim as perseguições.

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