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Expresso

Um determinado programa, não um programa determinado

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Lamentando a coincidência de o Governo apresentar o seu programa no Parlamento no mesmo dia em que se sabe que o chocalho é património – logo a mim que me interessa o património, o chocalho, o chiado dos carros de bois (por cujo som se conhecia quem lá vinha), os pássaros a chilrear nas matas, os mugidos de vacas e bois, os latidos dos cães pastores e outros sons que povoam a já distante juventude – lamentando pois ser obrigado a escrever sobre coisas menos agradáveis, fui visitar o dito programa

Ora eu poderia fingir que tinha lido as 262 páginas do documento, incluindo o quadro final da revisão do cenário macroeconómico. Mas seria falso. Eu, em programas de Governo, salto logo para um capítulo específico.

Esse capítulo teima em ter títulos lindos: por exemplo, no XVIII Governo, último de Sócrates, chamava-se “Melhorar a eficiência e a equidade na obtenção de recursos”, no XIX, primeiro de Passos e com a troika cá no burgo, chamava-se “Assuntos fiscais” e visava “a simplificação da cobrança e o combate à fraude e evasão fiscais”; no XX Governo (o de Passos chumbado há dias) levava o belo nome de “Assegurar um Estado Responsável, Mais Próximo das Pessoas, Mais Amigo da Economia” com o subcapítulo onde lá vinha “Consolidar a reforma fiscal, reforçar as garantias dos contribuintes, combater a fraude e evasão fiscais”. No XXI Governo, este, de Costa, chama-se “Melhor Justiça Fiscal”. Estou de acordo com todos os princípios, mas a consequência destes belos nomes tem sido… aumentar-me os impostos.

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