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Expresso

Atribulações de um PS na esquerda

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Acho muito difícil o Presidente da República começar por convidar António Costa para primeiro-ministro, ainda que ele conseguisse um acordo forte com o BE e o PCP. Em primeiro lugar, porque depende da interpretação que se der ao acordo e ninguém pense que tal documento terá uma hermenêutica simples (do tipo o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português votam a favor do Governo que o PS entender e estão de acordo com o Orçamento que os socialistas apresentarem, sabendo que este se compromete com o Tratado Orçamental e com todas as regras e compromissos europeus). Depois, porque com a oposição a esta solução de esquerda dentro do próprio PS será inevitável que os vencedores das eleições tentem passar o seu Governo mesmo sem acordo nenhum – de modo a responsabilizarem o segundo partido (o PS) pelo seu eventual derrube

Demagogos esquerdalhos gozam com a situação afirmando que quem se opõe à coligação PS/BE/PCP anuncia que os comunistas comem criancinhas, preveem novos gulags e uma catadupa de saneamentos. Percebo o alcance. Ao exagerarem até à caricatura a oposição aos comunistas pretendem esconder o que não é caricatura. E já agora uma palavra: se a ideia de comer criancinhas faz parte do anticomunismo básico tradicional, a existência de gulags, prisões, torturas e assassínios para os que se opunham ao regime soviético é histórico; como histórico é ter havido saneamentos em Portugal, inclusive de pessoas do PS, enquanto o PC teve poder no PREC. Convém não ser tão displicente quando se fala do PCP. Claro que hoje a situação é radicalmente diferente, até porque se extinguiu o ‘sol da terra’, como os comunistas chamavam à URSS, mas há novas perguntas (e escusam de vir com o papão do anticomunismo; ser anticomunista é ser antitotalitário, nem mais nem menos do que ser antifascista ou antixenófobo).

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