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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Posso ser acusado de falta de patriotismo, mas na verdade jamais fui patrioteiro. A razão e o bom senso não são inatos a um povo. É por isso que, sinceramente, acho que a ministra Magadalena Andersson, responsável pelas Finanças da Suécia tem razão quando diz que é imoral um país da União Europeia isentar de impostos cidadãos da própria União como forma de os atrair

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Se me derem uma guitarra para mão eu toco o ‘Vejam Bem’, a ‘Balada do Sino’, ‘Os Vampiros’, o ‘Venham mais cinco’ (com um dedilhado mais complicado nem sempre sai bem), a ‘Canção de Embalar’. A verdade é que aprendi sozinho e com a ajuda de uns amigos, a tocar guitarra (já tocava piano ou teclas) para poder cantar José Afonso. Para levar a guitarra para onde fosse e lembrarmos ‘Os Vampiros’ ou ‘A Morte saiu à rua’. Para adormecer sobrinhos, filhas e netos com a ‘Canção de embalar’

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Afirma-se que 10 mil milhões de euros voaram para offshores entre 2011 e 2014. Nesses quatro anos, por algum motivo, transferências comunicadas pelos bancos não terão sido inspecionadas. Apesar de o ex-secretário de Estado Paulo Núncio desmentir que tenha havido verbas não inspecionadas temos que cerca de 2,5 mil milhões de euros podem ter passado entre os pingos da chuva sem pagar impostos. Entretanto – números são números – o Estado parece ter descoberto que gastava 1,4 milhões de euros em subsídios a motoristas para lavar os carros

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Vários acontecimentos da minha vida privada, que não vêm ao caso, podem ter toldado o meu raciocínio. Se assim foi, peço já desculpa, antes que a polícia de costumes apareça. Ainda assim entendo que devo colocar umas questões, certamente sem nexo, mas que no meu enevoado cérebro surgem como tendo alguma pertinência. Refiro-me às novas leis sobre a discriminação

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Sejamos otimistas, já passou um mês com Trump na presidência dos Estados Unidos e o mundo continua a girar como dantes. Na verdade, nada se passou (salvo para os que ficaram uns dias retidos nos aeroportos norte-americanos) de extraordinário, descontando, obviamente, os constantes tweets e as palavras esdrúxulas do Presidente. Porém, enquanto forem só palavras, acho que aguentamos. Claro que os riscos se mantêm, e não são poucos, mas sejamos otimistas: dos 48 meses que ele tinha pela frente na Casa Branca, um deles já passou (é mais de dois por cento, como diria um economista)

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Concordam que o título é um pouco paternalista? Ainda bem. Eu também acho e, sinceramente, penso que o deputado socialista João Galamba bem pode agradecer ter entre os seus amigos, ou correligionários, pessoas que o possam mandar calar, para seu bem. Foi o que fez Carlos César, presidente e líder parlamentar do PS. E, de certo modo, o primeiro-ministro e líder do partido quando pediu que acabassem as críticas a Marcelo

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Parece ser certo que cada um mede os outros por si próprio. Os vigaristas acham que todos são, mais ou menos, vigaristas; assim como os mentirosos pensam que todos mentem. O mesmo se passa com as boas pessoas, que se imaginam rodeadas de gente incapaz do mal. Não é de estranhar, pois, que Cavaco tivesse começado por ver Sócrates à sua medida e Sócrates tenha visto Cavaco à sua. É o verdadeiro erro de perceção mútuo, postulado cujo contributo se deve à aflição de Centeno

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Nesta questão das relações de Centeno com a anterior administração da CGD devo dizer que não foi só Marcelo Rebelo de Sousa que se sentiu traído. Eu também. Confesso a minha simpatia pessoal por Mário Centeno, embora não o conheça, mas talvez pelo seu ar de Zé Colmeia (Yogi Bear, em inglês), figura com alguma importância na minha infância. E confesso que há uns meses me fartei de criticar António Domingues por aspetos – tenho hoje de reconhecer – em que ele não foi responsável

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Um homem em pose vitoriosa com uma pistola na mão ao lado de um corpo morto. O da pistola tem um dedo erguido e pela sua boca percebe-se que grita (sabe-se que berrou qualquer coisa relacionada com a Síria). Acabou de matar o outro, o embaixador russo em Ancara, Andrei Karlov. Era um polícia que ali estava para o defender e que, vil e cobardemente, o matou pelas costas. Esta é a descrição da fotografia que ganhou o maior prémio de fotojornalismo do mundo. Exalta o quê? A morte? O terror? A cobardia? Por certo nada de bom ou positivo se retira da imagem, salvo que é tecnicamente apurada e bem enquadrada

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Mais do que esquerda ou direita, mais do que temas sexuais e chamados fraturantes, a grande divisão do mundo está entre os que querem abertura, convivência, multilateralismo e aqueles que escondem o medo do desconhecido por detrás de muros protecionistas, leis xenófobas e retóricas nacionalistas e populistas. E nesta divisão o Vaticano está do lado dos primeiros, como estão Merkel, Martin Schulz, Rajoy, Macron e outros. Pena que em Portugal o nosso Governo tenha como suporte quem não entende isto mas quem, voluntaria ou involuntariamente, esteja do lado do nacionalismo exacerbado, contra o Euro, contra a Europa e contra alguns daqueles que mais combatem a xenofobia