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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Não conheço o caso nem os seus contornos, mas penso que tirando os envolvidos todos estão na mesma posição do que eu. Um juiz, em Viseu, considerou que uma mulher autónoma e moderna não se sujeitaria a anos de maus tratos, pelo que não deu razão à queixa que essa mulher apresentou em julho de 2014, ou seja, 12 anos depois de estar casada. Uma série de pessoas e organizações vieram dizer que a sentença era arrepiante, porque qualquer mulher, independentemente da sua cultura e autonomia, pode ser vítima

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    A decisão de Trump em mudar a embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém é uma das grandes trapalhadas diplomáticas em que é pródigo o presidente dos EUA. Hoje mesmo o Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se para debater a questão e, se tudo correr como o previsto, haverá apelos à paz e ao recuo norte-americano. O Hamas já apelou a mais uma intifada contra Israel e os países árabes das redondezas, que se caracterizam pelas suas excelentes democracias (isto é irónico), rasgam as vestes. E no entanto, o que é Jerusalém?

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Marcelo Rebelo de Sousa considerou um “erro histórico” se o nosso Parlamento não manifestasse o seu apoio à iniciativa ‘Pesco’ (Cooperação Estruturada Permanente) das Forças Armadas da Europa. Para o Presidente, que está, do meu ponto de vista, carregado de razão, o problema foi de suscetibilidades. Eu, que não sou presidente de nada, graças a Deus e para felicidade da Pátria, diria ‘birras’. Em suma, o BE e o PCP são contra, porque sim; o PSD e o PS são a favor, mas nenhum cedia no texto de resolução que o outro apresentava

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    É visível que a maior azia com a eleição de Centeno para o Eurogrupo é dos partidos à esquerda do PS. Afinal, o Governo é como os outros e segue uma ortodoxia europeia tão irrepreensível que o seu ministro das Finanças se torna o presidente dos ministros das Finanças do Euro. Mas é à direita que o golpe é maior. Porque demonstra que, sem se afastar da essência ortodoxa dos défices baixos, dos saldos primários e das reduções da dívida, é possível amarrar a extrema-esquerda

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    O negócio em que a Altice/Meo tenta comprar a TVI teve hoje honras de destaque no ‘Público’. Não é por ter sido com uma entrevista ao CEO deste grupo, Francisco Pedro Balsemão, que acho bem. Acontece que aquele presuntivo negócio é uma ameaça a todo o jornalismo e a todo o pluralismo, não só informativo como de entretenimento

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Estávamos em 1999 e decidimos entrevistar Belmiro de Azevedo para o Expresso (claro); seria uma entrevista não sobre empresas ou economia, mas sobre o homem que estava por detrás do império Sonae. A história, em si, não teria história, não fosse a sequência de eventos que se seguiram. Eu e o Rui Ochoa, na altura, salvo erro, chefe da fotografia do Expresso (cargo que ocupava há anos) seguimos para o Porto, mais concretamente para a Via Norte, na Maia, para conversar com o patrão da Sonae, então no auge da sua carreira de empresário e gestor

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    António Barreto escreveu há dias no ‘DN’ uma excelente crónica, o que não é de admirar, sobre a construção de um memorial sobre a escravatura em Lisboa, num espaço situado entre a Ribeira das Naus e o Campo das Cebolas. Concordo com esta ideia, tanto mais que ali desembarcaram milhares de escravos para serem traficados. Mas Barreto, que acha boa a ideia, proposta por uma associação da sociedade civil, previne para que não seja um monumento que se limite a condenar os “negreiros e os portugueses”. Não um memorial de autoflagelação “por razões de oportunismo histórico e demagogia política”

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Há coisas que sinceramente não entendo. Se compreendo a razão de muita coisa ser oculta da opinião pública, dos jornais, daqueles que apenas querem ver as tragédias e os horrores ou somente lhes interessa a coscuvilhice pura, não entendo como uma parte de um relatório feito por especialistas para determinar como foi possível um incêndio como o de Pedrógão – o incêndio onde morreu mais gente em Portugal (pelo menos desde que há registos) possa ter uma parte secreta. Exatamente aquela que descreve como se deram as mortes

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Não me peçam para condenar o evento comemorativo dos dois anos do Governo. Nem por ter contratado pessoas a 200 euros, nem por nada. A esta hora o Governo deve estar arrependido de ter ido por este caminho, porque em política (e por a frase ser de Salazar não tem menos razão) o que parece, é. E pareceu propaganda, nada mais

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Um dos momentos mais enternecedores do debate deste Orçamento do Estado foi a aceitação da proposta comunista do fim dos duodécimos no pagamento dos subsídios de férias e Natal. Se a coisa não foi patrocinada por uma associação de comerciantes (pequenos e médios, como é próprio do PCP), só se pode ficar a dever ao espírito cristão dos deputados do PCP