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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    É, para mim, fonte de mistério a insistência com que o Bloco de Esquerda e o PCP falam da saída do Euro ou da própria Europa. Ou melhor, só posso conceber tais posições no âmbito de uma alteração completa da estratégia e da integração de Portugal no mundo. Passarmos da Europa a 27 para uma espécie de ‘orgulhosamente sós’ salazarista, sem recursos suficientes para nos bastarmos a nós próprios. Uma Venezuela para pior

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    É algo comum na filosofia, na psicologia e noutras ciências mais ou menos ocultas dizer-se que o principal inimigo de cada um de nós somos nós próprios. Passos Coelho, porém, levou esse conceito a um extremo imprevisto. Não só se tornou no seu próprio principal adversário como está à beira de derrotar-se a si próprio. É paradoxal, eu sei, mas é assim que as coisas aparentam ser

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Pronto. Mais um. Quatro mortos e dezenas de feridos; sete detidos por suspeita de envolvimento. Foi mais um, em Londres, um ano exato depois de em Bruxelas, no aeroporto, 35 mortos e cerca de 300 feridos. No 14 de Julho, festa da Revolução Francesa, houve 84 mortos e dezenas de feridos, mais de uma dúzia deles em estado muito grave. E há disto todos os dias pelo Afeganistão, pela Síria, pelo Iraque. E na Turquia e por todo o lado

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Conseguimos, uma vez mais, algo em que somos verdadeiramente bons: indignarmo-nos! E, desta vez, em conjunto com países como a Itália, a Espanha e a Grécia. Temos razão? Etimologicamente não. Indignar-se significa ser olhado como não tendo dignidade e não é um Dijsselbloem qualquer que consegue esse feito. Popularmente, sim. O holandês disse umas coisas ao jornal Frankfurter Allgemeine que não lhe ficam bem, nem são próprias de um ministro, que para mais é presidente do Eurogrupo

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Numa interessante reportagem multimédia a que a Rádio Renascença deu hoje destaque, verifica-se como há diversos emigrantes portugueses a apoiar Marine Le Pen. O título da reportagem também não deixa dúvidas – “O feitiço de Marine Le Pen conquista portugueses”. Ora, em vez de preconceituosamente arrumarmos estes compatriotas que já são também franceses, na gaveta dos xenófobos, fascistas e racistas interessa ver qual a razão que leva alguém que emigrou a votar em propostas xenófobas

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Um vídeo viral andava-me às voltas na cabeça. Não tanto pelo ruído que provocou depois, quando preconceituosamente quase toda a gente entendeu que a senhora que aparece é baby sitter do compenetrado professor que fala sobre o problema da Coreia, quando afinal é a mulher deste, mas por este aspeto: por que razão se torna viral um filme onde nada mais se passa senão duas crianças irromperem pelo espaço (o escritório) onde um comentador, o professor Robert Kelly, via skype, se dirige ao auditório da BBC?

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Escreve hoje o advogado Francisco Teixeira da Mota, especialista em casos de liberdade de expressão, que a censura não é de direita nem de esquerda, tem mais a ver com quem está no poder. Certíssimo! Mas há casos em que o poder se mistura com certas empresas e torna tudo pior. É o caso da ZAP, distribuidora de televisão em Angola e Moçambique, que decidiu retirar a SIC Notícias e a SIC Internacional da sua rede. Poder-se-á dizer que é uma decisão meramente empresarial, mas surge a pergunta: e por que não outros canais da SIC (Mulher, Radical, K e Caras)? E por que não a RTP? A ZAP é de Isabel dos Santos e lá saberá. Mas o meu interesse (que não posso dizer seja desinteressado) não se fica por aqui

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Escrevi há pouco mais de 15 dias, na última página da edição semanal do Expresso, que ultrapassar de novo os prazos na investigação a Sócrates era desprestigiante e mau para a Justiça. Mantenho a ideia, por muito que possa compreender as dificuldades das cartas rogatórias e as complexidades próprias de quem tem meios para fazer circular dinheiro por dezenas ou centenas de locais. Se sabem (ou deveriam saber) que é assim, que a confusão é muita, que as respostas são lentas, que a investigação dá muitas voltas, por que colocam prazos? Ao não os cumprirem a ideia que deixam, por muito injusta que seja, é a da própria incompetência ou a da inocência dos visados. Uma exagerada insistência na dilação de prazos, depois de ter havido prisões preventivas, não pode deixar ninguém descansado. A sua eternização é um desassossego

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Bom, já era tempo de poder elogiar o primeiro-ministro. É hoje. Ao defender uma maioria de 2/3 para a aprovação de grandes projetos que, obviamente, vão para além de uma legislatura, fez uma proposta digna de um primeiro-ministro, de um estadista e não de um chefe de fação. Pena não ser brasileiro para poder dizer “Saravá, seu Costa!”

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    A possibilidade conferida às empresas, pelo Tribunal de Justiça Europeu, de proibirem o véu islâmico é uma medida que só contribui para a radicalização de uma comunidade que, por mais que se diga que não, já é olhada de lado um pouco por todo o lado. Le Pen ou Wilders não teriam desejado outra coisa. Porque a medida mete no mesmo saco o que é diferente. Diz que o véu islâmico é um símbolo religioso e por isso, para ser politicamente correto e igualitário, o Tribunal permite a proibição de todos os símbolos religiosos