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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Não é minha intenção culpar ou pedir a cabeça de alguém. Mas, dito isto, não ficaria desgostoso se alguém se assumisse como culpado ou pusesse a cabeça no cepo. Não podemos achar normal que, depois de um incêndio que levou 65 vidas, tenhamos outro horror como o que vivemos. Não é normal que o primeiro-ministro se conforme a dizer que não tem uma varinha mágica – é certo que a não tem, mas é seu dever mobilizar, dar o exemplo. Resignar-se, não! As suas palavras, caso não fossem ditas nestas circunstâncias políticas, teriam uma vaia generalizada, a começar pelo Bloco e PCP

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    O documento fundamental para as nossas economias e para a Economia do país foi hoje apresentado. Resulta de uma cuidadosa reunião de ingredientes, alguns exóticos, provenientes dos mais longínquos espetros políticos. Junta-se um pouco de demagogia, um q.b. de cedências e uma boa dose de ‘carrega aí em impostos de que ninguém se lembra’. Mexe-se tudo, atormentando devidamente um ministro das Finanças que, mal ou bem, ainda tem de convencer os parceiros europeus (coisa em que já deu provas mais que positivas) e serve-se com um sorriso de vitória do primeiro-ministro. Aos parceiros deixa-se também um ar vitorioso que não desdenham, e no fim está tudo contente

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    À medida que escrevo estas linhas vão caindo alertas sobre Sócrates: 31 acusações – três de corrupção passiva; 16 de branqueamento de capitais; 9 de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada. O Ministério Público sustenta que ele terá acumulado 24 milhões de euros na Suíça e que terá sido subornado por Ricardo Salgado. Isto é uma acusação, sublinhe-se, não são factos comprovados para além de qualquer dúvida, como uma sentença. Mas é uma acusação que ninguém, menos um político, poderia ter sem qualquer fundamento a menos que vivêssemos num Estado totalitário ou sem equilíbrio de poderes

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Um dos aspetos em que mais tenho pensado nos últimos tempos é na serenidade e no bom senso que Santana Lopes adquiriu. Os desconhecedores das suas fases anteriores (e não pretendo afirmar que ele não se sinta igual, a mesma pessoa), dificilmente acreditarão que foi um jovem truculento bastante à direita ou um socialite que gostava de andar nas colunas das revistas cor-de-rosa

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Enquanto se percebem as repercussões da renúncia de Passos à liderança do PSD (em boa medida parece-me uma parolice nacional, infelizmente instituída, achar que quem perde umas eleições perde qualidades, ou que os partidos apenas servem para chegar ao poder a qualquer custo), falemos do PCP, que tendo também muito para refletir, tem decisões coletivas para tomar (no PSD, como se sabe, cada líder transforma o partido numa coisa ligeiramente diferente, coisa de que não se pode acusar os comunistas).

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Como amanhã tenho imensas coisas a fazer, nomeadamente relacionadas com amigos e parentes, não tenho oportunidade de refletir profundamente sobre o ato eleitoral e os seus candidatos. Tal penaliza-me, porque um eleitor (ou eleitora) sem dia de reflexão pode ser levado a coisas menos próprias, como votar em ex-presidiários, demagogos, aventureiros ou mesmo extremistas

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Os principais atores de uma campanha para as autarquias locais deviam ser os candidatos às respetivas câmaras. Todos o sabem, mas também todos perceberam que não o são. Em Portugal, os partidos aproveitam qualquer campanha para fazer política nacional – fazer política talvez seja exagerado, é mais para arremessar acusações que, nas respetivas cabeças, são a parte substancial da política, sem se dignarem, na maioria, em esclarecer o que quer que seja

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Podemos admitir que os assobios para Marcelo foram de júbilo. Sim, mais do que um Presidente de Portugal, ele é no mundo lusófono uma espécie de popstar, ou por ser em Luanda, como disse aqui um camarada meu, espécie de rei da kizomba. Não me custa a admitir que o povo angolano, mais ou menos arrebanhado para a festa de investidura do seu novo Presidente, adore Portugal, os portugueses, a sardinha assada tanto quanto a sua elite gosta das lojas milionárias da Avenida da Liberdade