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Caixa: o impossível e a verdade

Qualquer fã de Arthur Conan Doyle reconhece a expressão usada pela mais famosa das suas personagens: quando tivermos eliminado o impossível, o que resta, por mais improvável que seja, deve ser a verdade.

Eliminemos o impossível no caso da Caixa para perceber o que de fato levou à demissão de António Domingues

-É impossível que o Governo tenha permitido que o seu maior ativo empresarial, e o maior banco em Portugal, tenha estado parado durante quase um ano. O absurdo desta hipótese é tão evidente que a temos de eliminar. Ou seja não foi por questões de gestão ou eficiência que a administração bateu com a porta.

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  • O que terá incomodado Domingues é a descoberta de que as empresas do Estado respondem perante o Estado. E o sinal que encontrou disso mesmo não foi qualquer intervenção indevida na vida interna do banco, como as que já tantas vezes aconteceram como bloco central. Foi a aprovação de uma lei que reafirma a ilegalidade de qualquer tratamento de exceção para os administradores da Caixa. O incómodo de Domingues é coerente com as exigências pouco razoáveis que fez para aceitar o lugar. Acha que é tão bom que a lei não se lhe deve aplicar e tão extraordinário que os deputados devem suspender as suas funções quando ele e os seus administradores estiverem em causa. Disse-se que António Domingues era o melhor. Mas alguém que, em tão pouco tempo, criou tantos problemas, fez tantas exigências e demonstrou tão pouca falta de talento a lidar com os mais banais inconvenientes que surgem a quem gere a coisa pública está muito longe de ser a melhor escolha para dirigir a CGD. A delirante arrogância de António Domingues não isenta de culpas quem o convidou e lhe ofereceu o que não podia oferecer. Mas é uma boa lição para quem julga que para ser um bom gestor público bastam qualidades técnicas específicas