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Expresso

TAP: dizem que é uma espécie de vitória

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A TAP pode ter sido transformada numa espécie de PPP. Uma gestão privada com o risco, ou pelo menos metade dele, do lado do Estado. Será que o Bloco de Esquerda e o PCP já perceberam isso?

Então vejamos. Depois de 15 anos de tentativas, Passos Coelho vende a TAP à pressa em dois meses. Fá-lo sabendo que existia uma enorme probabilidade de haver um novo Governo que era contra a venda. E usa como desculpa — verdadeira —, que a situação financeira da TAP era insuportável. De facto a empresa não tinha dinheiro para pagar, nem a fornecedores, nem a trabalhadores.

Se em termos empresariais e até sociais a venda era essencial de modo a garantir que a empresa não fechava, em termos políticos foi uma asneira. Não vender tinha colocado o Governo de António Costa com uma bomba relógio em mãos e sem saber como a resolver.

Depois entram os novos donos e mantêm a liderar a empresa a mesma gestão que depois de 15 anos só conseguiu levar a TAP à ruína financeira. Para logo a seguir serem confrontados com a ameaça de que a privatização tinha de ser revertida. A bem ou a mal, o Estado tinha de ficar com 51% da TAP.

Nada disso aconteceu. Em vez disso há um anúncio de um acordo futuro meio sombrio onde há ainda muita coisa ainda por definir. Tudo para tentar abafar um Orçamento do Estado do qual o Governo parece ter vergonha.

E no final a teimosia de António Costa deu como fruto seis administradores e um presidente do Conselho de Administração. Uns “lugarzinhos” para distribuir e uma vitória de Pirro. Tudo para que pudesse dizer que o Estado ficou com 50% da capacidade de votar num órgão que não manda nada. Qualquer decisão estratégica terá de ser aprovada por maioria qualificada, ou seja, todos os acionistas têm de estar de acordo. E claro, a gestão executiva será sempre privada.

Em troca ainda vai ter de ajudar a fazer a reestruturação financeira da empresa e colocar mais 30 milhões se quiser ficar com menos de 20% dos direitos económicos da companhia.

E se a empresa tiver de fazer um aumento de capital entretanto? E se necessitar de novos empréstimos? Nesse caso o Estado terá de entrar com mais capital? Ou vai ter de dar garantias extra?

A TAP pode ter sido transformada numa espécie de PPP. Uma gestão privada com o risco, ou pelo menos metade dele, do lado do Estado. A teimosia do Governo transformou-se numa grande vitória de Neeleman.

Será que o Bloco de Esquerda e o PCP já perceberam isso?