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Expresso

Os rostos da vergonha que é o Banif

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O Banif não é só mais um caso na banca portuguesa. É uma vergonha. Com um custo para si, o sempre disponível contribuinte, que pode chegar a um total de 3 mil milhões de euros. Depois do escândalo que foi o BPN, era expectável que a lição tivesse sido aprendida. Afinal não. Brincar com o dinheiro público é mesmo um desporto nacional.

Toda a culpa tem um rosto. E esse rosto tem nomes.

1. O primeiro culpado da situação do Banif é a própria gestão liderada por Jorge Tomé. O banco foi intervencionado há três anos. Qualquer ajuda do Estado tem de ser negociada com Bruxelas, exatamente para provar que não se trata de uma ajuda. Ou seja, o banco tinha de mostrar que tinha um negócio sustentável e que não estava a ser beneficiado pela intervenção pública. Foram apresentados oito planos de reestruturação, oito! Todos eles chumbados. A responsabilidade era da gestão provar que o banco era viável e tomar as medidas necessárias para que isso fosse possível. E não o conseguiram fazer. Contudo, continuaram a liderar a instituição como se nada fosse. A meritocracia substituída pela incompetenciocracia.

2. Pedro Passos Coelho. Ou Maria Luís Albuquerque e no limite todo o anterior Governo. É só escolher. A intervenção do banco em 2013 era necessária, mas depois deixar arrastar a situação foi uma escolha política. É normal dizer que existem dois tipos de problemas. Os que não têm solução, e que por isso solucionados estão. E os que o tempo resolve. O anterior governo gostava que o tempo tivesse sido amigo. Infelizmente, este acabou por ser um problema insolúvel. Arrastar a situação foi ainda pior. Acreditaram que o tempo ia resolver tudo. Que os ativos iam acabar por se valorizar. Nada disso aconteceu. E manter a gestão do Banif também foi escolha política. Uma sucessão de erros inacreditáveis.

3. A notícia alarmante e desastrosa da TVI foi o golpe de misericórdia na vida do Banif. O banco tinha de resolver um problema de estratégia e de capital no futuro mas cumpriu sempre os rácios prudenciais a que estava obrigado e nunca teve um problema de liquidez. Estes últimos mudaram com a notícia de que o banco ia fechar. A corrida aos depósitos iniciou um processo que acabou neste desfecho. No mínimo podemos dizer que antecipou um problema que ia ter de ser resolvido, mas a pressa nunca é amiga para quem vende.

4. E o Banco de Portugal? O Banif nunca foi um problema de supervisão ou regulação. Tinha um problema de sustentabilidade do seu negócio depois de anos de má gestão e apostas erradas. Uma carteira de promoção ao imobiliário que mais parece um buraco sem fundo. E um gigante problema acionista. O supervisor só tem de garantir que o banco cumpre as regras. E até ao início da semana passada estavam a ser cumpridas. Depois disso foi o descalabro total. O problema foi resolvido numa semana, mas tiveram três anos para obrigar a uma solução e não o conseguiram.

Daqui a uns anos vamos muito provavelmente descobrir que o Santander fez um grande negócio. E o Estado poderá ainda recuperar algum do dinheiro que teve de injetar no agora novo banco mau.

Até lá fica para a história mais um banco que teve de ser salvo. E desta vez, ao contrário do que se passou com o BES, não será a banca a pagar a maior fatura. Será o contribuinte. Esta foi uma clara escolha política. Supostamente a bem da estabilidade do sistema financeiro português, mas não deixa de ser um caminho diferente do seguido até agora.