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Expresso

Esta banqueta que nós temos

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Não há nenhum problema com o Banif. Há é um problema gigante com a banca em Portugal. Ignorado nos últimos quatro anos. Não por desconhecimento, mas porque acharam que era possível tratar uma infeção generalizada do crédito apenas com tempo.

É impressionante como nem aprenderam com os erros dos outros. O Grupo Espírito Santo e o BES cariam porque Ricardo Salgado acreditava que a crise, que começou em 2008, ia durar pouco tempo. Para tentar contornar a implosão dos mercados criou um esquema (fraudulento) que teria funcionado se a crise tivesse durado um ou dois anos.

O resto da banca em Portugal acreditou na mesma história da carochinha. Que a crise era passageira. Depois de 7 anos já há pouco para salvar e os problemas continuam lá.

Desde 2008 a banca já registou dezenas de milhares de milhões de euros em imparidades. Um valor que ultrapassa em muito os 30 mil milhões. Perdas que são a expressão máxima da maneira como durante tantos anos os bancos foram, pelo menos, muito mal geridos. Nalguns casos podemos mesmo dizer que foram centros de interesse para negócios com resultados ruinosos, mas só mesmo para os bancos.

Sempre que olhamos para o crédito mal parado de um banco, do outro lado está um devedor que recebeu esse dinheiro e lhe deu um destino que não foi o de criar valor de modo a poder pagar de volta. Claro que há negócios que correm mal e até azares. Mas existe acima de tudo uma incompetência gigante dos bancos que deram esse crédito. Houve alguém que passou o cheque acreditando (assim espero, porque se não estamos perante um caso de polícia) que lhe iam devolver esse dinheiro com juros. Anos depois, nem uma coisa nem outra.

O resto da banca em Portugal acreditou na mesma história da carochinha. Que a crise era passageira. Depois de 7 anos já há pouco para salvar e os problemas continuam lá.

A troika estimou em 2011, que os bancos portugueses iam precisar de 12 mil milhões de euros para serem recapitalizados. Foram usados pouco mais de metade. Na Irlanda os bancos tinham sido todos nacionalizados. Em Espanha foram usados dezenas de milhares de milhões para salvar bancos num movimento que passou quase despercebido. Por cá vendeu-se a imagem de que o nosso sistema financeiro estava melhor do que outros.

Não está. Os bancos em Portugal ainda estão longe de poderem dizer que saíram da crise.
Claro que há bancos que fizeram o trabalho de casa, mas mesmo esses vão demorar anos a conseguirem ser motores de toda uma economia que é crédito dependente. A banca portuguesa é uma banqueta de segunda. Formada por instituições que estão longe de poderem ser chamados de bancos.

Então qual a solução?

Tem de haver uma promoção enorme da concentração dos bancos em Portugal. Só com escala é possível tapar os buracos criados e criar condições para sairmos desta triste história do sistema financeiro. E essa concentração tem se ser impulsionada pelo poder regulatório e até político. Ela vai acontecer e é melhor que seja a bem do que mal, como no caso do BES ou do Banif

PS: Agora só sobre o Banif. Há anos que sabe que o banco está com problemas. Houve inúmeras tentativas de o vender. Em tempo até dinheiro da Guiné Equatorial ia salvar o banco. Nada aconteceu e em três anos não conseguiram resolver de vez o problema. Agora, por uma estupidez jornalística que causou o pânico (basta dizer e reafirmar que um banco vai fechar para que o seu fecho seja inevitável), estão a tentar resolver o problema em cima do joelho.
A decisão do primeiro ministro de chamar a si o dossier não é, à partida, errada. Desde que o desfecho seja diferente do BPN. A nacionalização do banco custou mais de 6 mil milhões de euros ao contribuinte. A resolução do BES está longe der ter corrido bem mas terá um custo (indireto via CGD) para o estado consideravelmente menor. Há outra hipóteses, mas qualquer ela que seja eu não quero pagar com os meus impostos a incompetência de outros.