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Expresso

Hoje não queria ser Grego

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Nada contra os gregos, mas hoje não queria estar na pele de um. Nas urnas não vai estar em causa apenas um sim ou um não. Mas a escolha de um caminho que, qualquer que seja o resultado, vai ser demasiado duro.

O ‘sim’ é um ámen a Bruxelas e à continuação de uma política que na Grécia não funcionou. Por culpa de ambas as partes. A Europa foi cega e os gregos casmurros. Houve excesso de austeridade, mas a Grécia também empurrou com a barriga a reforma da economia. E para quem acha que os gregos são apenas vítimas não esqueçamos que eles tiveram um perdão de dívida de valor quase igual a todo o pacote de ajuda de Portugal. Nesse dia, o BCP, um dos bancos com maior exposição à Grécia perdeu 700 milhões de euros. Dinheiro esse que acabou por contribuir para que o banco tivesse de pedir ajuda ao Estado e proceder a uma reestruturação que levou à perda de muitos postos de trabalho. Mas os gregos também foram vítimas de consecutivos governos que, eleitos democraticamente, destruíram todo um país. Inclusive este que quando subiu ao poder tinha uma economia a crescer. Agora já não cresce e nem sei se há economia.

A Grécia precisa de mais um perdão de dívida, de um novo resgate e de um novo caminho. Um sim não garante nada disso. Pior garante uma crise política. Pode o Syrisa continuar a governar quando faz campanha por um ‘não’? Pode perante um ‘Sim’ Tsipras dizer que fecha os olhos e assina um acordo com Bruxelas. O mais provável é cair o governo. Mesmo que as novas eleições tragam uma clarificação vão levar semanas, meses. E durante esse tempo como ficam os gregos? E um novo governo vai mudar o quê?

O ‘não’ é uma vitória de Tsipras. Um ‘não’, ao contrário do que muitos defendem é também um ‘não’ a este projecto de construção europeu. Como não acredito que a Europa vá mudar para outro projecto, até porque ele não existe, um ‘não’ só pode ser visto como um adeus. Já o disse e escrevi. Acredito que no médio prazo o melhor para a Grécia (não para a Europa) era a saída do Euro. A Grécia saltava da frigideira para o fogo, apenas com a esperança que este iria ser de curta duração. No espaço de um ou dois anos a Grécia poderia ressurgir mais forte com uma moeda mais fraca e pronta a relançar o longo caminho da recuperação. Só que essa saída traz no imediato o caos económico a uma economia que já esta de joelhos. É imprevisível o que iria acontecer aos bancos e a muitas das empresas gregas. Se o desemprego já é alto passaria para níveis ainda maiores.

Este a escolha vai ser, infelizmente, entre o mal menor. Seja ele qual for.