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Expresso

Entradas de leão, saídas de rendeiro

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Nós gostamos dos maus da fita. Temos uma atracção envergonhada pelo bandido e uma secreta repulsa por quem o persegue. 

O caso do BPP é uma vergonha. Ponto! O banco faliu em 2009. Seis anos depois, atenção SEIS anos depois, a CMVM aplica coimas de um milhão de euros a João Rendeiro e a impossibilidade de desempenhar funções de intermediário financeiro durante cinco anos. Tudo porque provou que o ex presidente do BPP fez coisas como passar títulos do falido Lehman Brothers para a carteira de clientes. Ou por ter transferido 40 milhões de euros de clientes para contas cujos titulares nem se consegue saber quem são. Na minha rua a isto chama-se roubo. E há ainda mais uma mão cheia de acusações de dolo e outras patranhas.

Gostamos muito de olhar para Inglaterra e para os Estados Unidos como modelos de muita coisa. Nesses países João Rendeiro teria sido preso no próprio dia, a multa seria tão grande que não haveria offshore em nome da sua mulher, casas na Quinta Patino, ou quadros que lhe valessem.

Mas em Portugal João Rendeiro continua a escrever livros e a dar conselhos sobre a situação financeira de outros bancos, numa tentativa de se redimir daquilo que, segundo o próprio, ele não terá feito. E o mais inacreditável é que, independentemente de ele ter ou não razão sobre o que escreve sobre os outros, as pessoas ouvem-no. Está provado. Nós gostamos dos maus da fita. Temos uma atracção envergonhada pelo bandido e uma secreta repulsa por quem o persegue.

Mas o BPP não é caso único. BPN e BES caminham para o mesmo destino. Anos infindáveis de investigações, que resultam em anos infindáveis de recursos em tribunal. Isto não é justiça. É injustiça. E todos parecem conviver bem com isso. A começar pelas elites.