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Vulcanite aguda

A única forma, não de dominar a natureza, mas de desfrutá-la e preservá-la, é obedecendo às suas leis básicas. Quais são? Provavelmente as que assinala o senso comum: não destruir os ecossistemas, não desequilibrar brutalmente a biodiversidade e, evidentemente, não esgotar os recursos. E, como é bem sabido, fazemos exactamente o contrário. Cegos na nossa viagem rumo ao nada, os seres humanos reproduzimo-nos enlouquecidamente, destruímos ou alterámos irremediavelmente os ecossistemas e quebrámos qualquer possibilidade de equilíbrio vital. Somos o vírus do planeta, a sua doença mais letal. Rui Herbon

Vasco M. Barreto

Anda muita gente a escrever sobre o vulcão, como se esta erupção fosse um sinal qualquer de alguma entidade de contornos mal definidos (Deus, a Natureza, Gaia, o Diabo ou os americanos - a CIA, Bush? Um tiro da caçadeira de Cheney? É preciso perguntar a Mário Soares). A erupção não justifica nenhum destes disparates e apenas confirmou que há ordem no mundo. A ordem enunciada pelo princípio do uniformismo (os fenómenos naturais que observamos hoje, como as erupções, são os mesmos que estiveram sempre presentes ao longo da história do planeta) e aquela que prevê encontrar-se mais substância no texto de um geólogo do que nos textos dos intelectuais, se o assunto é o vulcanismo. Citando-o, então: "está tudo bem".