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Vale mais um velho inimigo do que um amigo de circunstância

A totalidade dos caso de pedofilia ocorridos na Igreja vindos a lume nestes dias ocorreram no pontificado de João Paulo II, um Papa inofensivo. Ratzinger, pelo contrário, é um Papa perigoso. Filipe Nunes Vicente

Vasco M. Barreto (www.expresso.pt)

Defender Bento XVI é hoje uma espécie de prova de elevado coeficiente de dificuldade que tentará qualquer intelectual, crente, agnóstico ou ateu. Temos assistido a exercícios curiosos. No caso concreto, gostaria apenas de lembrar que o pontificado de João Paulo II foi de 27 anos, que o de Bento XVI é, até ao momento, apenas 19% desse período, que a citação está factualmente errada, pois o caso do padre Murphy é anterior ao pontificado de João Paulo II, e que a revelação dos casos de pedofilia também se rege por um "período de incubação". Tudo isto para dizer que, do ponto de vista empírico, esta formulação de Filipe Nunes Vicente VALE ZERO.

Também Henrique Raposo não resistiu a fazer um número de anti-anticlericalismo, ao expressar a sua surpresa pelo contraste entre a forma como Roman Polanski e um qualquer padre são tratados pelos media, nisso não percebendo que tal surpresa é provavelmente o maior ataque à ICAR que se pode fazer nesta altura, pois se esvaziarmos todos os padres de autoridade moral para safar os poucos padres pedófilos do fogo cerrado da imprensa, então a Igreja terá decididamente perdido este combate.

O tratamento criativo dos factos de Filipe Nunces Vicentes e interpretação "polémica" de Henrique Raposo são dois motivos para a Igreja confiar mais nos seus habituais inimigos anticlericais do que nos seus amigos de circunstância.