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Aparelho de Estado

Tabula rasa

A julgar pela forma displicente como trata o telespectador, partindo do princípio de que se trata de uma criatura vazia de conhecimento e pronta a ser impregnada pelos ouvidos, o programa de debate Plano Inclinado, de Mário Crespo, tem claramente o ângulo errado.

Vasco M. Barreto

A propósito do ensino liceal, falou Medina Carreira, falou Mário Crespo e falou Nuno Crato. Medina Carreira referiu-se à "bandalheira" nas escolas, para - digamos - enquadrar o problema. Mário Crespo falou no exemplo dos colégios religiosos e dos colégios "da Linha", para propor a tese de que a disciplina religiosa ou de inspiração estrangeira produz "seres excepcionais". Nuno Crato falou nas duas "vantagens" dos colégios privados: poder escolher os professores e excluir os alunos indisciplinados. Só João Duque, no fim e en passant, lembrou que os alunos dos colégios privados são de famílias economicamente favorecidas. Isto, como é sabido, é o factor determinante para o sucesso escolar. Quem ainda tem dúvidas deve comparar a posição no ranking das escolas de colégios jesuítas - à partida com o mesmo projecto educativo - localizados em diferentes meios sociais. Este simples facto é simultaneamente uma prova da impotência da escola pública e da irrelevância de alguns projectos educativos onde não deve imperar a "bandalheira". Nada tenho contra a revisão do estatuto do aluno, a promoção a assiduidade, a aferição de conhecimentos e a defesa de que o prazer imediato não pode guiar o ensino (prefiro tentar passar a ideia de que depois do esforço vem o prazer), mas irrita-me ver um fiscalista altamente diferenciado, um jornalista de referência e um especialista em educação a ignorar a realidade para venderem as suas teses.